Bancada do PT faz batalha nos bastidores por vaga de Luiz Sérgio

Diferentes alas do partido concorrem principalmente com nomes de Vaccarezza e Chinaglia, mas outros petistas estão no páreo

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Agência Brasil
Ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio
A bancada do PT na Câmara deu início a uma briga pela vaga do atual ministro da Secretaria das Relações Institucionais (SRI), Luiz Sérgio. Os petistas se dividem sobre a saída do dono da pasta responsável pela articulação política. Os dois grupos antagônicos têm como líderes informais o presidente da Câmara, Marco Maia (RS), e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP).

Maia realizou uma reunião na residência oficial da Presidência da Câmara em que os nomes discutidos foram o do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) e o da ministra da Pesca, Ideli Salvatti (PT-SC). O grupo ligado a Vaccarezza quer indicá-lo, mas ainda quer ganhar tempo para fortalecê-lo. Por isso, faz a defesa da permanência de Luiz Sérgio, dizendo que ele nunca teve chance e respaldo para ser articulador político.

Vice-líder do governo na Câmara, o deputado José Nobre Guimarães (PT-CE) saiu em defesa do atual ministro da SRI. “Ele não teve chance de fazer seu trabalho. Cobrá-lo pelos problemas é uma grande injustiça”, diz. “Para muita gente na bancada, Luiz Sérgio é um dos melhores quadros do PT”, completa Guimarães.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão (SP), também afirma que Luiz Sérgio foi prejudicado. “Ele não chegou a ser ministro de verdade”, disse, referindo-se à divisão das tarefas de articulação política com o ex-ministro da Casa Civil Antonio Palocci. Segundo o iG apurou, Luiz Sérgio praticamente não despacha com a presidenta Dilma Rousseff.

Ainda de acordo com informações de bastidores, o próprio ministro se demonstra insatisfeito com a falta de prestígio junto à presidenta. “Para mim, ele disse que preferia sair hoje mesmo. Foi ela quem pediu para ele ficar”, contou um deputado ligado ao grupo de Vaccarezza.

Dilma tem espalhado a versão de que manterá Luiz Sérgio no cargo. “Na noite desta terça-feira, ela avisou o vice-presidente Michel Temer que Luiz Sérgio fica na coordenação política”, afirmou o presidente nacional interino do PMDB, senador Valdir Raupp (PMDB-RR).

Petistas disputam apoio do PMDB

Como o iG publicou nesta quarta-feira, o PMDB tenta influir na escolha do novo articulador político. Por causa disso, Vaccarezza passou a tentar conquistar o apoio das bancadas da Câmara e do Senado. Ele tenta se reaproximar, sobretudo, do líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), com quem se desentendeu na votação do Código Florestal.

Chinaglia também busca apoio no PMDB. Ex-líder do governo na gestão Lula, ele tenta lembrar que foi dele a iniciativa para firmar, em 2007, uma aliança com o PMDB para comandar a Câmara por quatro anos. Entre 2007 e 2008, ele foi o presidente. Depois, em 2009, ele ajudou a eleger Michel Temer (PMDB-SP) para o cargo, o que serviu em seguida de trampolim para a candidatura de vice na chapa de Dilma.

Dentro do PT, há unidade apenas sobre a reformulação da SRI. Avalia-se que o principal erro da presidenta Dilma Rousseff foi ter repassado a Palocci (Casa Civil) tarefas que deveriam ser executadas por Luiz Sérgio. A nova ministra Gleisi Hoffmann já anunciou que não deverá acumular a função.

Distanciamento com presidenta

Petistas reconhecem o distanciamento entre Dilma e Luiz Sérgio. Em pelo menos uma oportunidade, a presidenta demonstrou irritação com o seu articulador político. Foi na sexta-feira, durante cerimônia de “batismo” da plataforma da Petrobras em Angra dos Reis (RJ), onde Luiz Sérgio já foi prefeito.

Colegas do ministro pediram que ele discursasse, mas Dilma fez restrições. Após ser convencida, exigiu: “Mas só dois minutos”. Em plena base eleitoral onde iniciou sua carreira política, Luiz Sérgio foi obrigado a fazer uma fala às pressas. Na noite de terça-feira, ele estava abatido após a confirmação da saída de Palocci do governo.

A demissão do chefe da Casa Civil e o descontentamento de Dilma com Luiz Sérgio deram combustível para setores do PT reivindicarem o cargo. A bancada do Senado só assiste à disputa. Os senadores consideram que a vaga de ministro é cota do PT da Câmara. Luiz Sérgio, por exemplo, é deputado federal licenciado pelo PT-RJ.

Apesar de os nomes dos ministros Alexandre Padilha (Saúde) e Ideli Salvatti (Pesca) terem sido citados como opções para SRI, é o deputado e líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (SP), que se enquadraria melhor no perfil de substituto de Luiz Sérgio. Além de ser parlamentar, é integrante do grupo majoritário do PT.

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