Ayres Britto: Estado precisa retomar espaço ocupado pelo tráfico

Para ministro do STF, ação da polícia e do Exército nos morros do Rio é legítima e é a única forma de assegurar a ordem pública

Rodrigo Rodrigues, iG São Paulo |

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, afirmou nesta sexta-feira que a ação da Polícia Civil e do Exército nos morros cariocas é absolutamente legítima e é a única forma de o Estado assegurar a ordem pública. Britto se disse muito “preocupado e apreensivo” com a situação de descontrole no Rio de Janeiro e afirmou que as autoridades precisam retomar os espaços dominados pelo tráfico de drogas.

“Não se admite rendição do poder público, porque isso desemboca num Estado de completa anomia (ausência de lei ou de regra), anarquia política e de profunda instabilidade social. Tomara que as autoridades consigam impor a ordem e recuperar para o poder público os espaços que são de toda a sociedade”, afirmou o ministro.

O ministro do STF também comentou a suposta polêmica envolvendo o Bope, o Batalhão de Operações Especiais da Polícia do Rio, e as emissoras de TV Record e Globo. Através do Twitter, integrantes da polícia teriam reclamado de que a exibição de imagens ao vivo da fuga de criminosos da Vila Cruzeiro estaria prejudicando os trabalhos dos policiais. Para Carlos Ayres Britto, o trabalho das emissoras de TV é legítimo e faz parte da natureza do trabalho da imprensa.

“Estamos num país que desfruta de total liberdade de imprensa. Quem faz esse tipo de seleção de imagens é a própria imprensa, que são os formadores da opinião pública, que tem o dever de prestar informações verídicas e autênticas. Eu vejo esse tipo de cena cotidiana coberta pela imprensa como expressão dessa plenitude e da fidedignidade da imprensa”, destacou.

Ayres Britto participou do Seminário Cultura de Liberdade de Imprensa, promovido pela TV Cultura de São Paulo. Durante o evento, o ministro fez uma defesa apaixonada da liberdade de imprensa no Brasil e disse que as ameaças jurídicas contra órgãos da mídia no Brasil são reflexo de uma “nostalgia do Judiciário em relação à sepultada Lei de Imprensa”. “Há certos segmentos da sociedade que têm dificuldade de enterrar ideias mortas. Vão buscar formol nas prateleiras do atraso para coibir o trabalho legítimo da imprensa”, concluiu.

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