Assembleia do Paraná abre CPI para investigar grampo em deputados

Parlamentares descobrem escutas telefônicas ilegais no prédio e querem saber por que e por quem elas foram feitas

Lucian Cristo, iG Paraná |

O deputado estadual Marcelo Rangel (PPS) conseguiu apoio de 19 parlamentares da Assembleia Legislativa do Paraná, na tarde desta segunda-feira (7), para instaurar uma CPI do Grampo na Casa.

O pedido para a instalação da CPI deve ser protocolado amanhã. O movimento para a criação da primeira CPI do ano vem depois que quatro escutas telefônicas foram encontradas no último final de semana na Assembleia, em uma varredura feita por uma empresa de segurança privada.

A responsabilidade criminal pela instalação das escutas será investigada pela Polícia Científica. Porém, o deputado Rangel defende que a CPI pode ajudar a investigar as motivações políticas por trás das escutas.

“Tivemos uma afronta contra um poder e a CPI é o instrumento mais eficaz para investigar, inclusive, as consequências desses grampos. Foram usados para chantagear alguém? Quem se utilizou de possíveis informações privilegiadas?”, questiona o deputado.

Para Rangel, outros parlamentares, além do presidente da Casa, Valdir Rossoni (PSDB), também eram alvo das escutas instaladas. “Não tenho dúvidas que outros parlamentares estavam sendo monitorados”, diz. Informações preliminares da empresa de segurança Embrasil, que está fazendo a varredura na Casa, mostram que as escutas estavam direcionadas para a presidência da Assembleia. “Tem que ter tido algum tipo de poder dentro da Assembleia para entrar e colocar os grampos em um horário propício para isso”, cogita Rangel.

O deputado não descarta a possibilidade de escutas telefônicas terem sido instaladas em outras instituições públicas, como o Tribunal de Justiça do Paraná, por exemplo. No gabinete do governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), uma varredura, há três semanas, garantiu a inexistência dos aparelhos ilegais, conforme informou o próprio governador nesta tarde. Depois de se reunir com a nova mesa diretora da Assembleia, Richa classificou os grampos encontrados na Casa como um fato “lamentável”.

A instalação de uma CPI pressupõe o apoio de um terço dos parlamentares, 18 no caso da Assembleia do Paraná. O tempo de trabalho da comissão é de 120 dias, prazo que pode ser prorrogado dependendo do andamento dos trabalhos. A comissão deve ser composta por 11 membros.

Gabinete militar

O presidente da Assembleia Legislativa do Paraná declarou oficialmente nesta segunda-feira (7) que vai criar um gabinete militar dentro da Assembleia, responsável pela segurança interna da Casa.

O novo setor será chefiado pelo policial militar Arildo Luís Dias, que foi o coordenador da operação que levou 150 policiais militares a ocuparem a Assembleia Legislativa no início da semana passada, por determinação do governador Beto Richa, e que destituiu os então seguranças que eram funcionários do local (a maioria servidor em cargo de comissao, alguns há mais de 30 anos). A criação do gabinete militar será discutida na sessão plenária de amanhã.

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