Arruda nega ter violado Painel do Senado em 2000

Ex-governador disse que recebeu envelope e, curioso, resolveu abrir

Severino Motta, iG Brasília |

nullO ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, prestou depoimento à Justiça Federal nesta quinta-feira e negou ter atuado na violação do painel eletrônico do Senado em 2000, após a votação da cassação do então senador Luiz Estevão.

Em seu depoimento, contradisse a então diretora da Secretaria Especial de Informática do Senado (Prodasen), Regina Célia, e negou que tenha lhe pedido para, após a votação, lhe entregar a lista dos senadores que votaram contra e a favor da cassação.

Arruda alegou que na noite anterior à votação chamou Regina em sua casa, a pedido do então presidente do Senado, o falecido Antônio Carlos Magalhães (ACM), apenas para discutir possíveis inseguranças no sistema eletrônico de votação. E que ela, por sua vez, teria dito que tomaria medidas para evitar qualquer irregularidade.

O ex-governador ainda disse que na tarde após a votação Regina teria entregue para Domingos Lamoglia, seu chefe de gabinete (e hoje um dos acusados no inquérito do Mensalão do DEM), um envelope pardo que deveria ser encaminha do a ACM. Ele, curioso, abriu o envelope para conhecer seu conteúdo e somente depois o entregou ao colega senador.

“Aí então teve conhecimento de se tratar de uma possível lista de votação; Que a lista continha apenas nomes e qualidade dos votos, identificando sim ou não após cada nome (...) QUE não teve a percepção de estar cometendo ilícito naquele momento (...) QUE ao chegar ao gabinete do senador ACM, o depoente lhe passou o envelope dizendo ‘aí está o que a Dra. Regina lhe mandou’ “, diz trecho do depoimento.

À Justiça, Arruda também disse que negou da tribuna do Senado ter tido conhecimento da lista de votação “para ser solidário às declarações do senador ACM”, que também negava ter violado o painel do Senado.

Ao final do depoimento, Arruda foi questionado sobre os danos causados à imagem do Senado devido à violação do painel eletrônico. Disse que, em seu ponto de vista, “o verdadeiro dano à imagem de uma Casa Legislativa é esconder o voto dos representados”.

Procurado

Durante a audiência, o juiz federal Alexandre Vidigal de Oliveira reclamou que desde 2006 tenta contatar Arruda para que preste depoimento e não vinha conseguido. O ex-governador disse “desconhecer tais chamamentos” e, por ter respondido a processo conexo no Supremo Tribunal Federal (STF), achava que “esse assunto já se encontrava esgotado”.

Versão de Regina

Em depoimento prestado anteriormente à Justiça, Regina Célia disse que Arruda lhe pediu a lista dos senadores que votaram contra e a favor da cassação de Luiz Estevão:

“No final do dia, após a votação, o senador Arruda procurou a depoente cobrando-lhe a lista, tendo a depoente dito que lista não estava pronta e que assim que estivesse pronta o procuraria; QUE mantido o contato com o senador Arruda, após encontrar-se com a lista impressa, o senador Arruda disse à depoente que a lista deveria ser entregue ao Domingos, assessor do senador Arruda, e que a depoente não se preocupasse pois o próprio senador Antônio Carlos Magalhães ligaria acusando o recebimento”, disse Regina em seu depoimento.

Painel

Arruda e ACM renunciaram ao mandato no Senado para evitar que fossem cassados após a descoberta que os dois estavam envolvidos na violação do painel eletrônico do Senado em 2000. O depoimento de hoje foi dado em processo que responde pelo crime de improbidade administrativa.

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