Aprovação do mínimo reforça credibilidade da equipe econômica

Vitória do governo aponta controle fiscal e reduz dúvidas do mercado financeiro quanto à execução do corte de R$ 50 bilhões

Danilo Fariello, iG Brasília |

A vitória do governo na votação que reajustou o salário mínimo de R$ 545 deu um importante referendo à credibilidade da equipe econômica da presidenta Dilma Rousseff . Desde o anúncio de um corte no Orçamento de R$ 50 bilhões na semana passada, em que não se apontou onde estariam as contenções, o governo tornou-se alvo de questionamentos do mercado . Para uma fonte da equipe econômica, o resultado da votação serviu para calar quem ainda era crítico quanto à veracidade do corte.

“O resultado ajuda muito a dar credibilidade à política econômica do governo”, avalia Carlos Thadeu de Freitas Gomes, economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor do Banco Central. A aprovação dá sinais de que o governo não vai deixar a economia sair da rota de um crescimento sustentável, avalia o economista, que já passou pelo governo.

Para o economista Raul Velloso, especialista em contas públicas, de fato havia uma “limitação orçamentária” para se oferecer um aumento maior do mínimo. Na sua análise, se o valor ficasse acima de R$ 545, poderia haver uma pressão ainda maior pelo aumento do juro básico nas decisões do Banco Central.

Carlos Thadeu comenta que a contenção do aumento do salário mínino evita uma alta dos gastos do governo que poderia afetar a demanda da economia nacional e, por consequência, levar a um aumento maior dos juros pelo BC. A votação do mínimo influencia na decisão sobre os juros, porque afeta as expectativas, explica o economista.

Para entrar em vigor, o salário mínimo de R$ 545 ainda tem de ser votado no Senado e sancionado pela presidenta Dilma Rousseff.

Conteúdo do corte é previsto para terça-feira

A promessa do ministro da Fazenda, Guido Mantega, e da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, de que o decreto que apontaria onde está cada real do corte de R$ 50 bilhões seria publicado até amanhã, porém, não deverá ser cumprido. Mantega viajou ao exterior para uma reunião do G-20 e a próxima data-limite prevista para publicação do decreto é até terça-feira.

As negociações entre o Ministério do Planejamento e os demais ministérios para cortar recursos ainda não se encerraram, mas algumas pastas já indicaram a magnitude e o alvo da contenção. Conforme o iG revelou ontem, o Ministério da Justiça terá de fazer economia de R$ 1,4 bilhão no Orçamento. O Ministério da Defesa, vai ter de economizar R$ 4 bilhões.

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