'Battisti está indignado e ansioso', diz Suplicy após visita

Ex-ativista italiano disse a senador que foi condenado sem direito de defesa e que está indignado por não ter sido libertado

Andréia Sadi, iG Brasília |

O senador Eduardo Suplicy visitou nesta segunda-feira o ex-ativista italiano Cesare Battisti, que está preso na Papuda, em Brasília. Após a visita, que foi acompanhada pela advogada Renata Saraiva, o senador contou ao iG que Battisti está “confiante, mas ansioso” e se mostra “indignado” por ainda não lhe ter sido concedido a sua soltura após decisão de refúgio autorizada pelo ex-presidente Lula no último dia no cargo.

“Fui visitá-lo por vontade própria. Ele reiterou para mim que nunca um juiz na Itália o perguntou se ele matou qualquer uma das quatro pessoas das quais o acusam. Battisti se sente uma pessoa que foi condenada sem direito de defesa”, afirmou Suplicy. O senador disse ainda que o italiano está "preocupado" e na expectativa da soltura porque o caso já vem se arrastando desde 2008.

A expectativa da defesa de Battisti era que, com a decisão do ex-presidente Lula contrária à extradição, ele poderia ser solto a qualquer instante. Por isso, foi encaminhado ao Supremo um pedido de soltura, alegando que o próprio STF já havia determinado que a última palavra era do presidente. O advogado Nabor Bulhões, que representa a Itália no processo, recorreu ao tribunal dizendo que o pedido deveria ser apreciado por todos os ministros – que hoje estão em recesso.

Na quinta-feira, o presidente do STF, Cezar Peluso, decidiu encaminhar o processo para o relator do caso, ministro Gilmar Mendes. Enquanto pede a manutenção de Battisti na prisão, a Itália já estuda contestar a decisão na Corte Internacional de Justiça da Haia, o principal órgão judiciário das Nações Unidas.

Battisti está preso no Brasil desde 2007 - quando deixou a França, país onde vivia desde que fugiu da prisão na Itália após ser condenado pelo assassinato de quatro pessoas, entre 1977 e 1979. A Itália pedia a extradição do ex-ativista, mas o pedido foi negado pelo governo brasileiro.

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