PSDB decide não divulgar votos de cada diretório zonal para que não fossem identificadas infidelidades e evitar retaliações

O tucano José Serra venceu as prévias do PSDB, mas ainda vai precisar unir o partido em torno do seu nome. “A partir de agora é uma só voz, um trabalho pela vitória para o povo de São Paulo”, disse no discurso após a divulgação do resultado.

Como previsto por alguns tucanos, a vitória de Serra não ocorreu por larga vantagem. Ele obteve 52,1%. José Aníbal obteve 31,2% e Ricardo Trípoli 16,7%. “Agora começa um trabalho de reconstrução das relações do partido”, afirmou o ex-deputado Walter Feldmann.

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O ex-governador José Serra vota nas prévias do PSDB na capital paulista
AE
O ex-governador José Serra vota nas prévias do PSDB na capital paulista
À primeira vista, no entanto, haverá dificuldade. Nos bastidores, militantes ligados a José Aníbal criticaram o uso das máquinas da Prefeitura de São Paulo e do governo do Estado em favor de Serra. Houve questionamento da forma de votação com o uso de tablets.

O próprio José Aníbal defendeu que a votação fosse feita por cédulas. Nos diretórios zonais onde a votação por tablet falhou, houve o uso das cédulas e Aníbal saiu-se vencedor por 94 votos, contra 73 de Serra e 34 de Trípoli.

Fotos: Veja imagens das prévias tucanas na capital paulista

O diretório municipal do PSDB decidiu não divulgar os votos de cada diretório zonal para que não fossem identificadas infidelidades e, consequentemente, eventuais retaliações. Oficialmente, porém, todos elogiaram o processo de prévias.

Aníbal, contudo, fez uma menção protocolar à vitória de Serra. “Desejo ao Serra uma boa campanha e uma grande vitória para todos nós”, afirmou. Trípoli disse que vai cumprir a promessa de que apoiaria o vencedor das prévias. “Serra prefeito”, ressaltou.

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Matarazzo e Bruno Covas

Apesar da disputa contra Aníbal e Trípoli, Serra contou o apoio dos pré-candidatos e secretários estaduais Andrea Matarazzo (Cultura) e Bruno Covas (Meio Ambiente). Os dois prometem ajudar Serra no processo de união do partido.

Covas, porém, admite dificuldades. “Não dá para mandar votar em ninguém”, afirmou. Matarazzo ainda sonha em ser escolhido como vice na chapa encabeçada por Serra. Ele disse que na terça-feira decide se deixa o cargo de secretário.

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