Diferentes alas do partido disputam espaço na coordenação da campanha do ministro da Educação à Prefeitura de São Paulo em 2012

Nas últimas duas semanas quatro pré-candidatos do PT à Prefeitura de São Paulo desistiram da disputa em benefício do ministro da Educação, Fernando Haddad . Todos usaram a unidade partidária como justificativa. Nos bastidores da pré-campanha, no entanto, a tal unidade está longe de existir. Diversos grupos e tendências disputam espaço na coordenação da campanha de Haddad, num prenúncio do que deve acontecer caso o ministro vença a eleição do ano que vem.

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A principal disputa é pelo posto de coordenador geral da campanha. De um lado está o grupo que defende a permanência do deputado Vicente Cândido (PT-SP), uma das principais lideranças do PT paulistano, ligado à corrente Construindo um Novo Brasil (CNB).

Haddad é cumprimentado por Zarattini e Tatto
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Haddad é cumprimentado por Zarattini e Tatto

O grupo de Cândido é formado na maioria por apoiadores de primeira hora de Haddad, alguns deles “nomeados” diretamente pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , mentor da candidatura, para acompanhar os primeiros passos do ministro no terreno eleitoral. Entre eles estão nomes fortes do interior paulista e ABC ligados à CNB, com trânsito fácil junto a Lula, mas pouca penetração na capital.

Do lado oposto estão os que defendem o nome do vereador Antonio Donato, presidente do diretório municipal do PT. Eles argumentam que historicamente a coordenação da campanha cabe ao presidente, como forma de fortalecer o partido institucionalmente. Entre eles estão vereadores, dirigentes nacionais e parlamentares que ajudaram a costurar o acordo que selou a candidatura de Haddad com a desistência dos deputados Carlos Zaratini e Jilmar Tatto.

Aliado de Zaratini, o presidente municipal conduziu com neutralidade o longo e delicado processo de escolha do candidato. Apesar disso, enfrenta resistências de defensores de Cândido, para quem Donato, candidato à reeleição no ano que vem, não teria como conciliar a própria campanha com a coordenação de Haddad.

Nos últimos dias a pressão sob o ministro para incluir a direção municipal na coordenação da campanha aumentou. O deputado Ricardo Berzoini, ex-presidente nacional do partido e um dos artífices do acordo que selou a candidatura do ministro, deu um recado claro durante uma plenária realizada pelo vereador Carlos Neder, segunda-feira.

O próprio Haddad deu sinais de ter assimilado a cobrança durante o anúncio da desistência de Tatto e Zaratini, sexta-feira. “Há uma compreensão de todos nós de que o caminho passa por dentro da direção partidária”, disse. Vicente Cândido, que também é o relator do projeto de lei da Copa do Mundo na Câmara, nem sequer compareceu ao ato.

A divisão de tarefas na coordenação da campanha é vista como uma disputa antecipada por cargos em um possível governo petista. “Foi o que aconteceu na campanha da Marta (Suplicy) em 2000. Os coordenadores da campanha acabaram levando as principais secretarias”, disse um petista.

Questionado sobre o assunto pelo iG , Haddad minimizou a disputa. “Essas coisas a gente vai discutindo e acomodando com o tempo”, disse o ministro.

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