Após PMDB, governo recebe fatura até de aliados sem bancada

De olho no calendário do Congresso, governo quer liquidar demandas de partidos por cargos no segundo escalão

Andréia Sadi e Adriano Ceolin, iG Brasília |

Os problemas do governo com a base aliada ultrapassam as fronteiras do PMDB, que detém a segunda maior bancada na Câmara e a maior no Senado. De olho no calendário de votações no Congresso, o Palácio do Planalto anda preocupado com o apetite dos partidos de porte médio e até com os nanicos.

iG
A presidenta Dilma com aliados durante as eleições
Como não conseguem marcar audiências com o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, os partidos aproveitam a proximidade resultante da campanha eleitoral com o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), para falar sobre suas expectativas. Vaccarezza disse que questões deste tipo, sobre tratativas de montagem de governo, não são de sua alçada e ficam a cargo do ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio.

Um grupo de governistas se arrepende até de ter inchado a coligação da candidata a presidenta Dilma Rousseff com dez partidos. O nanico PTN é um exemplo. O partido não elegeu nenhum deputado federal. Conta apenas com 14 deputados estaduais. Mesmo assim, cobrou do Planalto uma diretoria na Petrobras ou cargo na Infraero.

O mais novo problema do governo é o Partido Social Cristão (PSC). No início da disputa eleitoral, a sigla anunciou apoio ao candidato tucano José Serra . Depois, reverteu o apoio para Dilma. Fortemente ligado aos evangélicos, lideranças do partido afirmam terem sido decisivas no segundo turno por causa da discussão sobre o aborto.

“Na época que precisaram da gente, nós fizemos a nossa parte”, afirmou o 1º vice-presidente do PSC, Pastor Everaldo. De acordo com ele, diversas lideranças do partido atuaram contra a campanha de que Dilma era a favor do aborto. “Nós ajudamos muito na eleição dela”, completou.

Líder do PSC na Câmara, o deputado Ratinho Júnior (PR) afirmou que o partido deveria contar com uma vaga em algum ministério. Isso porque a bancada (17 deputados federais eleitos) é maior que a do PC do B (14), que comanda desde 2003 o Ministério do Esporte. “Respeitamos a relação histórica do PC do B com o PT, mas o correto é que deveria ter uma pasta também”, disse.

Pastor Everaldo disse que pediu “isonomia” com o PC do B ao ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. “Me reuni com o Palocci em 15 de dezembro passado. Até hoje ainda não obtive uma resposta”, disse o 1º primeiro vice-presidente do PSC. “Mas estamos aguardando. A gente é cristão. Tem fé que vai dar certo”, disse.

Segundo o dirigente, o PSC “tem quadros” para oferecer para o governo. “Temos técnicos na Caixa, no Banco do Brasil”, disse. Por ora, o partido conseguiu garantir a indicação de Carlos Batinga, ex-prefeito de Monteiro (PB), para a secretaria de mobilidade do Ministério das Cidades.

Outro partido que reclamou da distribuição de cargos aos petista é o PC do B. "Eles chiaram, mas Dilma já mostrou que vai aproveitar este início de governo para impor seu ritmo. Mas ficamos de avaliar como contemplar todos sem perder o diálogo", disse um interlocutor do governo.

PMDB

Após emplacar cinco ministros no governo, o PMDB travou uma briga com o governo para emplacar nomes no segundo escalão. A disputa pelo comando de Furnas Centrais Elétricas, que provocou uma guerra entre grupos do PT e do PMDB, fez a presidenta tomar uma decisão radical: trocar não apenas o presidente, mas também os cinco diretores, e rejeitar qualquer indicação política. Diante desse quadro, os partidos estão em busca de técnicos do setor elétrico.

A tentativa é manter a influência no segundo escalão do governo, mas, ao mesmo tempo, seguir o discurso da solução técnica.

    Leia tudo sobre: Dilma RousseffPTgovernoPSC

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG