Após nomear parentes, Beto Richa deve anunciar choque de gestão

Depois de indicar mulher e irmão para secretarias, governador eleito do Paraná diz que pretende cortar 15% dos gastos públicos

Luciana Cristo, especial para o iG, de Curitiba |

O governador eleito do Paraná, Beto Richa (PSDB), toma posse às 10 horas deste sábado, em cerimônia na Assembleia Legislativa do Paraná. No discurso de posse, Richa deve anunciar seu choque de gestão, expressão usada por governadores tucanos como Aécio Neves , em Minas, e Geraldo Alckmin , em São Paulo. Na prática, o choque de gestão é um conjunto de medidas que visam cortar gastos públicos e equilibrar as contas do Estado.

A meta inicial é reduzir os gastos do Paraná em 15%, o que poderia gerar uma economia de R$ 480 milhões no primeiro ano. Encerrada a cerimônia, o governador Beto Richa viaja a Brasília. Embora integre a oposição ao governo, ele estará presente na posse da presidente eleita Dilma Rousseff .

Agência Estado
O governador eleito Beto Richa, ao ser diplomado junto com o vice Flávio Arns
O choque de gestão de Richa, entretanto, começa sob críticas. Depois de a bancada tucana ter passado oito anos criticando o governo de Roberto Requião (PMDB) pela nomeação de parentes na administração pública - como o irmão Maurício Requião na secretaria de Educação e o outro irmão Eduardo Requião na administração dos portos de Paranaguá e Antonina - agora Richa concedeu duas “supersecretarias” de Estado à sua mulher e ao seu irmão.

Fernanda Richa assumirá a Secretaria da Família e Desenvolvimento Social (que engloba a secretaria da Criança e do Adolescente), enquanto José Richa Filho estará a frente da Secretaria de Infraestrutura e Logística (que une as secretarias de Transportes e de Obras).

Filho do ex-governador José Richa, Beto Richa foi prefeito de Curitiba durante dois mandatos. Ele venceu as eleições contra o senador Osmar Dias (PDT) e obteve 52,44% nas urnas, pouco mais de 3 milhões de votos, ainda no primeiro turno. Na reta final da disputa, quando as pesquisas apontavam empate técnico entre ele e Dias, Richa pediu e conseguiu censurar a divulgação de pesquisas eleitorais no Estado.

Agora no governo, Richa tem a missão de aumentar o número de empregos e diminuir o abismo econômico entre a capital e o interior do Estado, suas principais promessas de campanha. Além disso, ele assume um Estado que viu seus índices de criminalidade aumentarem nos últimos anos, principalmente em Curitiba e na região de fronteira, de Foz do Iguaçu e Cascavel, na contramão das estatísticas nacionais.

Com a posse do tucano, chega ao fim a “era Roberto Requião” no Paraná. Em seus oito anos no cargo, o ex-governador peemedebista brigou com desembargadores, juízes e com a imprensa local. Quando Requião saiu para disputar a eleição para o Senado, em abril deste ano, Orlando Pessuti (PMDB) assumiu, ficando no cargo durante oito meses.

A transmissão de cargo de Pessuti para Richa acontece às 11:30 horas, em frente ao Palácio Iguaçu, em Curitiba. A previsão é de que o governador eleito e seu vice, Flávio Arns (PT), acompanhados de suas esposas, cheguem à Assembleia Legislativa às 9:50 horas e que sejam recebidos por uma comissão de deputados liderada pelo presidente da Casa, Nelson Justus (DEM).

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