Após manifesto peemedebista, Dilma planeja conversa com Temer

Presidenta quer se reunir com vice para discutir manifestações de insatisfação em relação ao tratamento dado ao PT

Reuters |

A presidenta Dilma Rousseff planeja conversar com seu vice, Michel Temer, sobre as demonstrações de insatisfação do seu partido, o PMDB, antes de partir em viagem oficial para a Alemanha no sábado.

O descontentamento dos aliados, em especial do PMDB, com o espaço dado pela presidenta para que eles participem das decisões do Executivo não é uma novidade, mas cresce desde o ano passado, e se aprofundou durante as trocas ministeriais promovidas por Dilma, ganhando força com a proximidade das eleições municipais.

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Na quinta-feira, mais da metade da bancada peemedebista na Câmara assinou um manifesto reclamando da ação do governo em favor do Partido dos Trabalhadores (PT), em detrimento dos demais aliados.

Roberto Stuckert Filho/PR
Presidenta pretende falar com auxiliar antes de embarcar para a Alemanha
"Nas propostas e decisões maiores ( do governo ) o PMDB não tem participado e é visível o esforço do governo para fortalecer o PT", diz o texto que pode contar com a assinatura de 52 deputados e será levado na próxima terça-feira a Temer.

O deputado Danilo Forte (PMDB-CE), um dos expoentes do movimento rebelde do partido, afirma que apesar de criticar a ação do Executivo pró-PT, o objetivo do manifesto não é desestabilizar a coalizão do governo.

"O partido precisa se impor como aliado e não ser submisso. Tem que ser uma parceria de verdade", disse. "O que nós não queremos é nos transformar num DEM", argumentou em referência ao partido de oposição que sempre foi o aliado de primeira hora do PSDB e que ao longo dos anos se enfraqueceu.

Uma fonte do governo, disse à Reuters sob condição de anonimato, que diferente dos outros partidos o PMDB, o maior da base aliada, tem apoiado todos os projetos de interesse do Executivo no Congresso. Nesse sentido o partido faz valer suas reivindicações.

Por isso, Dilma percebeu que a revolta deve ser controlada e conversará com Temer para encontrar uma solução para a conturbada relação dos últimos meses.

Coalizão

Antes mesmo da conversa, Dilma aproveitou a posse do novo ministro da Pesca, senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), para reforçar a importância da coalizão e dizer que chegou ao poder graças aos aliados. Uma outra fonte do PMDB, que também pediu para não ter seu nome revelado, disse ainda que o próprio Temer ficou ressentido depois que a presidente nomeou Crivella sem comunicá-lo.

O descontentamento, nesse caso, é porque Temer estava conversando com o pré-candidato do PRB à Prefeitura de São Paulo, Celso Russomano, com vistas à uma aliança com o pré-candidato peemedebista na capital, deputado Gabriel Chalita, e o partido viu na escolha de Dilma um movimento para capturar o apoio do PRB para o pré-candidato do PT em São Paulo, Fernando Haddad.

Esse movimento, que é negado pela equipe de Dilma, seria contrário até mesmo à orientação que a presidente deu ao Conselho Político da Coalizão, que reúne presidentes e líderes congressistas dos partidos aliados, de que não esperassem o uso da máquina federal para ajudar nas eleições municipais.

A fonte do PMDB disse que a cúpula do partido vai trabalhar para acalmar os revoltosos e evitar danos nas votações de projetos importantes.

Há preocupação também com o convocação feita pelo manifesto para o dia 25 de abril, em Brasília, conclamando prefeitos, vereadores e presidentes de diretórios municipais para debater a posição do partido dentro do governo e a estratégia das eleições de outubro.

O presidente do partido, senador Valdir Raupp (RO), pretende que essa reunião ocorra só em maio, o que também ajudaria a esfriar os ânimos. "Na quarta-feira (7), teremos reunião da Executiva e vamos tratar de alguns pontos desse manifesto", afirmou.

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