Após denúncias, Planalto tenta conter crise nos Transportes

Após Dilma afastar a cúpula do setor, Presidência divulgou nota de apoio a Nascimento, reforçada por declarações de ministros

Denise Motta, iG Minas Gerais, e iG São Paulo |

A preocupação com um abalo na base aliada levou o Palácio do Planalto a se mobilizar nesta segunda-feira para conter a crise que se instalou no Ministério dos Transportes. Após Dilma afastar no fim de semana vários integrantes do alto comando do ministério , em meio a denúncias sobre um suposto esquema de cobrança de propina na pasta, o governo decidiu divulgar nesta segunda-feira uma nota em defesa do ministro Alfredo Nascimento (PR). A manifestação de apoio ganhou, ao longo do dia, o reforço de declarações públicas feitas por alguns de seus colegas de Esplanada.

AE
Nota da Presidência ajudou a alimentar o discurso do líder do PR, Magno Malta
Em uma medida que ajudou a amenizar as especulações sobre a demissão de Nascimento, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República anunciou que o ministro seria o responsável pelo processo de apuração das denúncias, reveladas no fim de semana pela revista Veja . De acordo com a nota, o caso foi tema de uma conversa entre entre o ministro e a presidenta.

Algumas horas depois, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, declarou publicamente que caberá a Nascimento fazer uma "rigorosa investigação" sobre o caso. Pimentel, que é um dos ministros mais próximos de Dilma, disse que “as providências necessárias foram tomadas". "O ministro, de fato, foi confirmado no cargo e está incumbido de fazer uma investigação rigorosa, assim como a CGU vai fazer e, certamente, tudo que tiver que ser apurado, será apurado”, declarou.

As afirmações ocorreram em meio às reações da oposição e à avaliação, por setores da base, de que a permanência do ministro no cargo saria insustentável. Para um integrante do primeiro escalão do governo, ouvido pela coluna Poder Online , a avaliação é a de que Nascimento agora lidera a "lista negra" de Dilma - como ficou conhecida a relação de ministros que se tornaram fonte de descontentamento da presidenta. 

Por outro lado, o caso alimentou preocupações do governo quanto a uma possível retaliação do PR, diante da decisão de Dilma de afastar a cúpula do setor - perderam seus cargos o diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antônio Pagot, o presidente da Valec Engenharia, José Francisco das Neves, o Juquinha, o chefe de gabinete do Ministério dos Transportes, Mauro Barbosa Silva, e o assessor Luís Tito Bonvini.

A nota da Presidência, no entanto, ajudou a acalmar o discurso de representantes do partido do ministro. "As pessoas de bem não vão para a vala comum. A nota da presidenta Dilma nos encoraja", afirmou o líder do partido no Senado, Magno Malta (ES), que assim como Pimentel participou nesta segunda-feira do velório do senador Itamar Franco (PPS-MG), em Belo Horizonte. 

*Com informações da Agência Estado

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