Após declarar voto em Serra, Jobim diz que Dilma é extraordinária

Ministro da Defesa nega problemas com o governo e diz que votou no tucano por ser seu 'amigo íntimo'

Nara Alves, iG São Paulo |

O ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), que justificou nesta segunda-feira a declaração de voto no ex-governador José Serra (PSDB), negou que esteja descontente no governo e rasgou elogios à presidenta Dilma Rousseff (PT). “Sou amigo do Serra, ele foi meu padrinho de casamento, morei com ele, aprendi com ele. Eu não tinha condição nenhuma de fazer campanha contra o Serra”, justificou Jobim, ao gravar na tarde desta segunda-feira uma entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.

Por duas vezes, Jobim se referiu às jornalistas que o entrevistavam como "minha filha", repetindo o tratamento dispensado por Dilma a uma repórter ao falar sobre o apagão no Nordeste do País , em fevereiro. "Quem decide é a presidente, minha filha", respondeu Jobim quando questionado se pretendia permanecer no governo.

AE
Ministro empenhou-se em minimizar polêmica sobre declaração de voto em Serra
Na semana passada, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo , o ministro admitiu ter votado em no presidenciável tucano, principal rival da petista na disputa pelo Palácio do Planalto. A declaração pública foi interpretada como um sinal de descontentamento do ministro e alimentou rumores de que ele  estaria prestes a deixar o governo. No PT, o episódio alimentou a avaliação de que Jobim estaria jogando a favor da oposição , para forçar sua demissão e abalar a relação de Dilma com o PMDB.

Na entrevista concedida hoje, Jobim negou qualquer problema com a gestão de Dilma e rasgou elogios à presidenta. “Dilma é extraordinária, minha relação com ela é ótima. Eu não tenho nenhum problema com ela. Estou no governo porque me dá prazer”, afirmou. “Dilma tem visão de Estado e de futuro (...) Tem noção muito clara das tendências do mundo”, completou.

Segundo Jobim, desde o início da campanha eleitoral em 2010, ainda na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva , seu apoio a Serra era sabido. Na época, segundo Jobim, uma reunião foi convocada pelo então ministro de Relações Institucionais Alexandre Padilha para solicitar que ministros gravassem depoimentos para a propaganda eleitoral de Dilma. Jobim teria explicado que tinha “problemas” em fazer campanha contra Serra. Na reunião, segundo o ministro, o então presidente Lula estava presente.

Além da amizade, Jobim teria justificado que não poderia fazer campanha contra o tucano por ter sido ministro do governo de Fernando Henrique Cardoso. “Quando a presidente Dilma me convidou para continuar no ministério da Defesa ela manifestou uma concordância com o projeto ( liderado por ele à frente da pasta ). (...) Me surpreendi com as consequências da resposta ( dada à Folha )”, disse.

O ministro afirmou que a presidenta não comentou com ele a declaração de voto no tucano. Jobim contou que encontrou Dilma durante uma cerimônia formal e que nada foi dito sobre qualquer desconforto gerado pela declaração. “Minha relação no governo é institucional, no sentido de tocar uma estruturação necessária (no ministério)”, afirmou. “Não estou a fim de sair, tenho um projeto para tocar”, reforçou.

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