Após conversa com Lula, proposta de 7% é mantida

Líderes do governo conseguem adiar apresentação de relatório de MP para quarta-feira, mas aliados batem o pé em aumento de 7,7%

Fred Raposo, iG Brasília |

Depois de encontro reservado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), manteve irredutível a proposta de reajuste de 7% para os aposentados. A conversa aconteceu na tarde desta terça-feira, após lideranças da base articularem-se em torno de aumento de 7,7%, considerado inaceitável pelo governo.

Estiveram presentes na reunião com Lula o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Como o encontro se estendeu até o início da noite, o deputado José Genoíno (PT-SP), na ausência de Vaccarezza, foi nomeado relator e pediu prazo de uma sessão para apresentar o texto.

Trata-se de uma manobra regimental, na tentativa de adiar a derrota na Câmara, uma vez que a leitura do relatório estava marcada para hoje. Em almoço, mais cedo, Vaccarezza, relator da MP 475, chegou a encontrar líderes aliados para negociar o reajuste, sem sucesso. Agora, Jucá e Vaccarezza voltarão a procurar as lideranças para tentar renegociar o índice.

"A área econômica mostrou que o limite (para o reajuste) é 6,14%. Jucá e eu estamos articulando, no Senado e na Câmara, para levar proposta de 7%", afirmou Vaccarezza, acrescentando que "não há a mínima hipótese" de se aprovar aumento superior ao índice proposto pelo governo. "Se aprovarem uma loucura, o presidente pode vetar".

Para o deputado Paulinho da Força (PDT-SP), que articula o aumento de 7,7% junto à base, o governo adia o "inadiável". A aposentados e pensionistas que faziam corpo-a-corpo esta tarde na Câmara, o pedetista garantia que a votação ocorreria até a quarta-feira. Porém, admitiu depois que ela pode ser adiada para a semana que vem.

"Conversei com o presidente Lula há cerca de 10 dias e expliquei os detalhes sobre os cálculos das centrais sindicais", disse Paulinho. "Segundo a conta, a diferença entre a proposta do governo e a nossa é de apenas R$ 600 milhões. Perto do orçamento da Previdência é (um valor) muito pequeno".

Preliminarmente, o governo já havia sido derrotado em votação simbólica. Os parlamentares derrubaram a decisão do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-DP), que considerava inadequada emenda que propunha extinguir o fator previdenciário a partir do ano que vem. Os deputados terão que analisar a emenda ao votarem a MP 475.

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