Antes de Humberto Costa, ninguém quis assumir. ‘E quem quer ser presidente?’, ironizou interino confirmado hoje na presidência

Após seis sorteios e cinco desistências, o Conselho de Ética do Senado escolheu nesta quinta-feira (12) o senador Humberto Costa (PT-PE) para relatar a representação do PSOL para investigar o envolvimento do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) com o empresário de jogos ilícitos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Antes dele, cinco sorteados se recusaram a assumir a função.

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De surpresa, Demóstenes apareceu na reunião do Conselho de Ética hoje. Disse que vai provar sua inocência e questionou a escolha do presidente interino do órgão o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE). Valadares acabou assumindo o cargo por exclusão, uma vez que o indicado do PMDB, Vital do Rêgo (PMDB-PB), não tinha como acumular a presidência do conselho com a corregedoria do Senado. O senador do PSB virou presidente por ser o mais velho entre os membros do colegiado . Após a escolha do relator, Valadares foi eleito definitivamente presidente do conselho.

Humberto Costa, primeiro na foto, aceita a relatoria do caso Demóstenes após cinco desistências
Beto Barata/AE
Humberto Costa, primeiro na foto, aceita a relatoria do caso Demóstenes após cinco desistências

Primeiro a ser sorteado, o senador Lobão Filho (PMDB-MA) declinou da função alegando "foro íntimo". O mesmo ocorreu com o senador Gim Argello (PTB-DF). Terceiro a ser sorteado, o senador Cyro Nogueira (PP-PI), por telefone, recusou a função. Os senadores Romero Jucá e Renan Calheiros (PMDB-AL) também declinaram.

"Já que ninguém quer ser relator, quem quer ser presidente?", ironizou Valadares, que, naquele momento, ainda era interino do conselho.

O ex-presidente do conselho senador Jayme Campos (DEM-MT), antes do início da eleição como já havia manifestado anteriormente, declarou-se impedido de participar da escolha do relator do caso por ser do mesmo partido ao qual pertencia Demóstenes, o DEM.

Depois de definido o relator por sorteio, ele será responsável por receber a defesa de Demóstenes e fazer um relatório preliminar em cima do documento. Se o relatório indicar o prosseguimento do processo de cassação, o rito prevê a abertura de prazo para ouvir testemunhas, colher depoimentos e produzir provas.

Notificado na quarta, Demóstenes tem dez dias úteis para apresentar a defesa prévia, mas suas chances são remotas por conta do sentimento de decepção generalizado na Casa

Mais cedo, Valadares avaliou como "grave, delicada e decepcionante", a situação do senador Demóstenes. "Ninguém esperava isso de uma pessoa da envergadura política do senador Demóstenes, que comandava uma oposição agressiva, calcada na ética", explicou. "Para resumir tudo numa palavra, o sentimento é de frustração para o Congresso e o País."

Para subsidiar o processo e facilitar a produção de provas, Valadares encaminhará nesta quinta ao Supremo Tribunal Federal (STF) novo pedido de compartilhamento do inquérito criminal, aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República contra Demóstenes e outros parlamentares com prerrogativa de foro especial. O requerimento é do senador Wellington Dias (PT-PI).

O Congresso também deve criar uma CPI para investigar a relação de Cachoeira com outro políticos. Caso o STF negue novamente ao Conselho de Ética acesso ao inquérito, o envio da investigação poderá chegar às mãos dos senadores via comissão parlamentar.

Com Agência Brasil

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