Após "casar" com PTB, Tarso Genro flerta com PP, PMDB e PSDB

Governador gaúcho abre série de reuniões com oposição. Por enquanto, siglas dizem que conversas não estão ligadas a cargos

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

O governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), começou nesta terça com uma série de reuniões incomuns em um Estado que nos últimos anos viu duros embates entre governos e oposição. Defensor da “concertação” entre forças políticas opostas e acenando com uma proposta de "pacificação", o petista se reuniu com deputados do Partido Progressista (PP) para discutir projetos enviados à Assembleia e promete convidar todos os partidos de oposição para uma conversa no Palácio Piratini.

AE
Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul
A reunião com a bancada do PP serviu para apresentar os 15 projetos de lei que tratam de programas de desenvolvimento econômico e reestruturação de órgãos estaduais. Foi o primeiro da série de encontros de Tarso com partidos de oposição – os próximos, segundo o governo do Estado, devem ocorrer com o PMDB e o PSDB.

Tarso já conta com maioria na Assembleia, depois de entregar secretarias ao PTB e ao PDT, adversários históricos da sigla no Estado. Antes da posse, chegou a convidar para entrar no governo o PP, que não aceitou.

O líder do PP na Assembleia, João Fischer, considera um “aprendizado” a postura de Tarso, uma vez que o PT fazia oposição ferrenha aos governos anteriores. “Eu sempre via ele como uma pessoa com a radicalidade do Partido dos Trabalhadores quando estiveram na oposição”, destaca. Além disso, o progressista não vê risco de a oposição ser engolida e descarta que o PP ocupe cargos no governo, algo que foi discutido antes da posse. “Não nos pediram para integrar a base do governo nem isso seria feito por nós. Já foi dito que não teria essa possibilidade”, ressalta.

Alguns partidos ainda se mostram reticentes à proposta, mas também devem se reunir com o governador. Com cinco deputados, o PSDB, partido da ex-governadora Yeda Crusius, diz que poderia aceitar o convite, mas que não está disposto a simplesmente escutar. “Como governador, ele está fazendo o papel a que se propôs, de conversar com todos. Temos que saber se ele quer ouvir a oposição ou simplesmente comunicar”, diz a deputada Zilá Breitenbach.

Tradicional adversário do PT no Estado, os oito deputados do PMDB fizeram reunião nesta terça para decidir se aceitariam um eventual convite do governador. Eles vão aguardar um convite oficial de Tarso, mas mostram disposição ao diálogo. “Os deputados se posicionaram por aceitar o convite, desde que seja feito de forma direta pelo governador. Basta ligar para mim que vamos conversar”, diz o líder da bancada, Giovani Feltes. O deputado não vê risco de uma cooptação dos partidos de oposição. “O eleitorado nos colocou na oposição. E queremos fazer uma oposição responsável, propositiva e qualificada”, completa.

O lado do PT

O presidente estadual do PT, deputado Raul Pont, diz que o partido não vê problemas na disposição de Tarso Genro em dialogar com adversários tradicionais do partido. Para o deputado petista, o governo tem até mesmo o dever de ouvir a oposição.

“Isso não significa tentar cooptar ou desconsiderar a oposição. Reivindicamos muito durante o governo Yeda que a oposição fosse ouvida”, lembra. Raul Pont destaca ainda que os projetos que estão sendo discutidos são pontuais e não envolvem debates programáticos ou ideológicos.

Perguntado se o PT estaria se “vacinando” depois dos anos de conflito vividos durante o governo de Olívio Dutra, entre 1999 e 2002, Raul Pont diz que o contexto atual é diferente. “Era uma situação muito polarizada, que certamente nasceu mais na Assembleia do que no Palácio”, completa.

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