Após 44h, vereadores cassam mandato de prefeito de Campinas

Também investigado por corrupção, o vice Demétrio Vilagra (PT) assume o cargo. Hélio de Oliveira Santos (PDT) pode recorrer

iG São Paulo |

AE
Na foto, o prefeito de Campinas Hélio de Oliveira Santos, conhecido como Dr. Hélio
Após cerca de 44 horas e 34 minutos de sessão ininterrupta, a Câmara Municipal de Campinas, cidade a 95 km de São Paulo, cassou o mandato do prefeito Hélio de Oliveira Santos (PDT) na madrugada deste sábado. Com o placar final de 32 vereadores votando pela cassação do prefeito, apenas o vereador Sérgio Benassi (PCDB) foi contrário à decisão.

Ao final da sessão, a Câmara entendeu que  Hélio é considerado culpado nas três denúncias formuladas pelo vereador Artur Orsi (PSDB). De acordo com as acusações, que tiveram como base as investigações do Ministério Público Estadual (MPE) , Hélio de Oliveira Santos está envolvido nas fraudes descobertas em contratos da Sociedade de

Abastecimento de Água e Saneamento de Campinas (Sanasa), em irregularidades em loteamentos imobiliários e em ilegalidades no modelo de operação das antenas de celulares da cidade.

Ao final da sessão, o presidente da Câmara, Pedro Serafim Junior (PDT) assinou o decreto legislativo, determinou a cassação do prefeito e informou sobre a substituição pelo vice-prefeito, Demétrio Villagra.  “Não estou feliz com o que aconteceu, porque isso não se faz com ninguém. Mas tenho confiança de que a cidade vai se recuperar. Campinas é muito maior que essa crise”, disse. O decreto será publicado no Diário Oficial da cidade e o resultado será enviado à Justiça Eleitoral.

A sessão de julgamento do caso começou às 9h de quinta-feira (18) e só terminou às 5h34 deste sábado. Apenas para a leitura do relatório final, que contou com pouco mais de mil páginas, foram necessárias 38 horas. As páginas de 611 a 1219 - referentes às denúncias do MPE, que correm sob segredo, foram excluídas da leitura. Aprovada no dia 23 de maio por unanimidade, a Comissão Processante foi presidida pelo vereador Rafa Zimbaldi (PP), teve o vereador Zé do Gelo (PV) como relator e Sebastião dos Santos (PMDB) como terceiro integrante.

A defesa do Dr. Hélio deve levar o caso à Justiça. Com a queda, quem assume é o vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), acusado de ter recebido propina de empresários investigados pelo Ministério Público. Vilagra chegou a ser preso. O petista nega as acusações feitas contra ele.

Entenda o caso

Em maio deste ano, o Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) e a polícia divulgaram a prisão de 12 pessoas envolvidas no suposto esquema de fraudes em licitações da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A (Sanasa), companhia de Campinas. A operação cumpriu 20 mandados de prisão. Entre os envolvidos no caso estavam a mulher do prefeito, Rosely Nassim, e o vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT). Conforme suspeitas da promotoria, a primeira-dama seria a mentora das fraudes.

Depoimentos tomados ao longo da apuração indicam que ela receberia valores de até 7% dos contratos fraudulentos. Rosely era chefe de gabinete do marido, Dr. Hélio. Rosely sempre negou participação no esquema. O vice-prefeito, chegou a ser considerado foragido pela polícia. No dia 26 de maio, Demétrio Vilagra foi preso ao desembarcar no aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo.

Durante as investigações, o prefeito classificou de "arbitrária, golpe político e execração pública" as operações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público (MP-SP) e da Polícia Civil que culminaram na prisão preventiva dos envolvidos, entre eles agentes públicos de sua administração e empresários ligados a empresas de prestação de serviço.

*com AE e Agência Brasil

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