Dilma diz que nova ministra agirá 'segundo diretrizes do governo'

Presidenta diz que Eleonora Menicucci saberá 'respeitar seus ideais' e ao mesmo tempo seguir atribuições que lhe forem dadas

iG São Paulo |

A presidenta Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira que a nova ministra da Secretaria Especial de Política para Mulheres, Eleonora Menicucci, agirá de acordo com as "diretrizes" que forem definidas pelo governo federal. Ao empossar nesta tarde a nova integrante da Esplanada, Dilma destacou que sua administração é pautada pela ausência de distinções de natureza política ou religiosa.

"Nós governamos para todos os brasileiros e brasileiras, sem distinções políticas, religiosas ou de qualquer outra ordem", afirmou Dilma, em um longo discurso no qual fez sucessivos elogios à nova auxiliar, com quem dividiu uma cela no presídio Tiradentes, durante a ditadura militar. "É uma feminista que respeitará seus ideais, mas que vai atuar segundo as diretrizes do governo em todos os temas sobre os quais terá atribuição", emendou.

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A fala de Dilma ocorre em meio à polêmica em torno da atuação da nova ministra sobre a questão do aborto. Eleonora, que militou historicamente pela descriminalização do procedimento, mas ressaltou após sua indicação que sua posição pessoal em relação ao tema "não interessa". Segundo ela, este é um tema que deve ser tratado pelo Legislativo e não pelo Executivo . No discurso, Dilma não citou a questão do aborto.

AE
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Em sua fala, Eleonora relembrou a prisão ao lado de Dilma, mas ressaltou que a sua vida não "foi só na cadeia" e defendeu ter currículo para desempenhar a nova função.

"Quando cheguei ao presídio Tiradentes, a senhora ( dirigindo-se a Dilma ) estava lá e me abraçou com um afeto que durante minha vida inteira ficou marcado. Senhora presidenta, a minha vida não foi só na cadeia. Tenha certeza de que o meu currículo acadêmico como docente e pesquisadora há mais de 30 anos me credencia e me dá suporte e segurança para desempenhar esse novo cargo", disse a nova ministra.

Eleonora foi presa, torturada e conviveu com Dilma na chamada "Torre das Donzelas" do presídio Tiradentes, que recebeu prisioneiras políticas do regime militar. "Quero neste momento com muita emoção, muita tristeza render minhas homenagens às mulheres e aos homens, jovens que tombaram na luta contra a ditadura", afirmou a nova ministra durante a cerimônia, sendo ovacionada pelo público.

Eleonora é socióloga, professora titular de saúde coletiva e pró-reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Seu currículo inclui doutorado em ciência política pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-doutorado na Universidade de Milão em saúde e trabalho das mulheres. Ela substitui Iriny Lopes, que volta para a Câmara dos Deputados e deve disputar a Prefeitura de Vitória em outubro.

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Com a mudança ministerial, Dilma deseja dar ainda mais visibilidade à questão feminina, que tem sido um dos temas centrais da sua política de governo, tanto em discursos quanto na própria distribuição de cargos.

Em seu discurso de posse, Eleonora destacou a importância de políticas públicas para segmentos de mulheres, como as trabalhadoras domésticas, garis, pescadoras. A ministra também condenou a disseminação de um "padrão sexista" em salas de aula, programas de entretenimento e serviços públicos de saúde, criticando que as mulheres sejam vistas como "meros objetos sexuais, não tenham seus esforços reconhecidos e tenham seus direitos reprodutivos e sexuais desrespeitados".

*Com informações da Agência Estado

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