Ao ser confirmado candidato do PT em SP, Haddad critica Kassab

Como iG antecipou, deputados retiraram pré-candidaturas e abriram caminho para ministro da Educação, preferido de Lula para 2012

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O ministro da Educação, Fernando Haddad, foi confirmado hoje pelo PT como candidato do partido à Prefeitura de São Paulo em 2012. Ao ser anunciado, Haddad adotou um discurso de oposição ao atual prefeito Gilberto Kassab (PSD), partido que integra a base de sustentação do governo de Dilma Rousseff no nível federal.

Leia também: Deputados retiram pré-candidaturas por Haddad em São Paulo

"O sentimento da militância do PT é de mudança, e não de continuidade. O que caracteriza o partido quando ele se apresenta à cidade como de oposição ou de situação é isso: o sentimento de continuidade ou de mudança. As coisas precisam mudar em São Paulo", disse Haddad. Segundo ele, a cidade vive um descompasso em relação ao País.

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Haddad é cumprimentado por Zarattini e Tatto
O principal mote do discurso eleitoral de Haddad é no sentido de melhorar a vida dos moradores da cidade "da porta para fora" de suas casas. "Da porta para dentro, o governo Lula já provocou uma mudança na vida das pessoas. Queremos fazer chegar a São Paulo os principais programas do governo federal". Haddad enumerou uma série de iniciativas federais que não chegaram à capital paulista, segundo petistas, por razões político-eleitorais, como a expansão das universidades federais, Minha Casa Minha Vida e o Bolsa Família.

O discurso de oposição foi uma das cobranças feitas pelos adversários de Haddad na disputa interna para abrir-mão das candidaturas e evitar a realização de prévias. Na segunda-feira, por exemplo, antes de participar de uma plenária promovida pelo vereador Carlos Neder, Haddad literalmente saiu correndo quando questionado por jornalistas sobre uma possível aliança com Kassab e o PSD. "Deixa isso para a próxima", esquivou-se.

A expectativa do PT em São Paulo é que o ministro radicalise ainda mais o discurso de oposição a Kassab na medida em que se desvincule do Ministério da Educação e deixe de ter uma relação institucional com a prefeitura de São Paulo. "Ele assumiu uma linha de oposição", disse o deputado Carlos Zarattini, um dos que abriram-mão da pré-candidatura em benefício de Haddad.

Para o PT paulistano, não existe a possibilidade de Kassab tentar interferir na linha de campanha pelo fato de ser um aliado do PT em nível federal. "Nós não podemos misturar uma coisa com a outra. O Kassab não tem interesse de misturar porque ele tem uma linha direta e orgânica com (o ex-prefeito) José Serra", disse o vereador José Amério, ex-presidente municipal do PT.

Negociação

Conforme o iG antecipou , a decisão de não realizar prévias foi acordada ontem de manhã em uma reunião entre Haddad e a bancada paulista do PT na Câmara, realizada na casa do presidente da Câmara, Marco Maia (PT), em Brasília, onde os deputados Zarattini e Jilmar Tatto comunicaram a desistência da disputa. Os dois eram os últimos entraves para que Haddad fosse ungido candidato do PT à Prefeitura da maior cidade do País.

Na semana passada, a senadora Marta Suplicy atendeu ao apelo da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e retirou sua candidatura. No domingo, foi a vez do senador Eduardo Suplicy, que enfrentava dificuldades para conseguir as 3,2 mil assinaturas necessárias para registrar a pré-candidatura, anunciar sua desistência.

Zarattini e Tatto argumentaram que Haddad já havia conseguido a maioria política e numérica do partido e que a insistência das prévias poderia colocar em risco a unidade do PT para justificar a desistência. A confirmação da candidatura de Haddad é uma vitória pessoal do ex-presidente Lula que, contrariando vários setores do partido e as pesquisas eleitorais, que apontavam favoritismo de Marta, usou seu cacife político para emplancar a candidatura do ministro da Educação.

Os próximos passos serão a montagem da equipe de coordenação da campanha e o início das conversas com partidos da base aliada para montar uma ampla aliança em torno do nome de Haddad.

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