Ao fazer balanço do governo, Lula critica imprensa e oposição

Por ordem do presidente, ministros compilaram realizações da administração federal para registrá-las em cartório

Andréia Sadi, iG Brasília |

Com uma plateia recheada de ministros que integram ou integraram seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou nesta quarta-feira um balanço dos oito anos de seu governo. Embora tenha optado por ler o discurso preparado por sua assessoria, Lula aproveitou um rápido momento de improviso no início de sua fala para criticar a imprensa e a oposição.

O evento teve a presenta de nomes como o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu e até mesmo da senadora Marina Silva (PV-AC), que deixou o governo Lula em 2008 e disputou a Presidência da República pelo PV na última eleição.

Em tom de despedida, Lula disse que entregaria a todos os editores de política dos meios de comunicação brasileiros uma cópia do balanço. E queixou-se da cobertura que a imprensa deu ao seu governo. "Eu não via matéria boa sobre o governo então decidi viajar o País e falar bem eu mesmo", ironizou, aproveitando para mencionar a presidenta eleita Dilma Rousseff . "O resultado está aí com a eleição de Dilma, que alguns articulistas políticos achavam impossível. 'É impossível'", provocou.

Agência Estado
Dilma, segundo Lula, estava presente no evento apenas na condição de ex-ministra
Lula reclamou ainda do noticiário que lhe atribuiu boa parte da montagem do ministério de Dilma. "Espero que os companheiros da imprensa não digam que estou tentando ensinar você. Porque eu ando ouvindo que eu estou escolhendo seu governo", reagiu.

Em uma provocação aos adversários políticos, Lula ironizou as críticas ao bordão "Nunca antes na história deste País", que marcou seus oito anos de governo. "Dizem que o Lula pensa que está reinventando o Brasil. Não estamos reinventando. Estamos apenas fazendo o que os outros não fizeram", disse Lula.

Além disso, ele investiu na tese de que o balanço entre acertos e erros do governo é o que lhe garantiu taxas de aprovação na faixa de 80%. "Se fizer como alguns políticos e somar o regular ao ótimo e bom, nós vamos a 95% de ótimo e bom", provocou.

O evento de hoje foi organizado para apresentar uma compilação das realizações do governo, organizada pelos ministros a pedido do próprio presidente. Nos discursos que tem feito em solenidades oficiais por todo o País, Lula vem repetindo sucessivamente que pretende registrar em cartório todas as realizações de sua gestão, para que sirvam de parâmetro para governos futuros.

Os ex-ministros presentes, foram tratados com o título de companheiro, que embasava os discursos de Lula nos tempos de dirigente sindical. "Vejo ali o companheiro Dirceu", disse o presidente, dando o mesmo tratamento a outros antigos auxiliares.

Ao abrir sua fala, Lula brincou ao dizer que Dilma estava presente apenas na condição de ex-ministra. "Dilma está aqui na condição de ex-ministra. Portanto, estou tratando-a de ministra", disse o presidente, numa referência ao fato de Dilma ter ocupado as pastas de Minas e Energia e da Casa Civil. Lula, entretanto, evitou tratar o evento como uma "despedida". "Isso é um ato de trabalho."

Realizações

No discurso lido, Lula exaltou a estabilidade econômica e obras de infraestrutura do governo. Investiu ainda no discurso de que sua administração soube direcionar investimentos de maneira a colocar o País em uma rota de desenvolvimento. Falou sobre programas nacionais como Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o ProUni, entre outros. Falou sobre políticas ambientais, desenvolvimento tecnológico, educação, formação profissional, e assim por diante. "É pouco? Dilma vai fazer muito mais."

Ao pregar a transparência no governo, Lula brincou com os vazamentos do site WikiLeaks, que abalaram a diplomacia americana nas últimas semanas. "Não vai ter vazamento de WikiLeaks porque nós vamos vazar antes."

Embora a Esplanada dos Ministérios estivesse toda presente, um único ministro falou antes de Lula. De saída do cargo, o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, investiu no discurso de que o balanço demonstra o "legado" deixado pelo atual governo. "Quem ler esse material ficará impressionado com a quantidade de obras", disse.

Franklin também teceu elogios à presidenta eleita Dilma Rousseff. Queixou-se dos críticos da luta armada contra a ditadura militar e engatou: "Ver uma mulher como a senhora chegar à Presidência da República me enche de alegria".

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