Ao assumir, Tarso deve questionar 'déficit zero' de Yeda

Petista prepara raio-X sobre a economia do Rio Grande do Sul para questionar a principal bandeira da sua antecessora, do PSDB

Tássia Kastner, especial para o iG, de Porto Alegre |

Tarso Genro (PT) toma posse do governo do Rio Grande do Sul depois de selar alianças com antigos adversários do PT gaúcho e empenhado em manter boas relações com a oposição. Se na cerimônia marcada para as 8h30 deste sábado o discurso deve ser cordial, nos primeiros quinze dias de governo o clima de paz corre o risco de sofrer algum abalo.

AE
Tarso planeja discurso cordial para a posse, mas prepara raio-X das contas do Estado
Segundo Carlos Pestana Neto, futuro chefe da Casa Civil, o novo governo deve divulgar um relatório sobre a situação das finanças do Estado. Tarso derrotou, com 3,4 milhões de votos (54,35% dos votos válidos), a candidata à reeleição Yeda Crusius (PSDB), que teve como principal bandeira de governo o saneamento das contas públicas, envolto na bandeira do "déficit zero".

“Os primeiros indicadores que temos apontam divergências de caixa em relação ao chamado déficit zero. Mas isso saberemos em detalhes quando o novo secretário da Fazenda, Odir Tonollier, divulgar o balanço completo da situação financeira do Estado”, avalia Pestana Neto.

Mesmo que se confirme a diferença de caixa, a gestão petista não deve fazer grandes acusações. Tarso tem buscado - desde a vitória sobre José Fogaça (que levou 1,5 milhão de votos), Yeda Crusius (que conquistou apenas 1,1 milhão do eleitorado, ficando em terceiro lugar) e outros seis candidatos que disputaram as eleições no dia de 3 de outubro -, fugir das rixas que marcaram a política gaúcha nos últimos anos.

A principal marca dessa estratégia – que também foi utilizada por Luiz Inácio Lula da Silva nos oito anos de governo – é a formação de uma coalizão com o PDT e PTB, antigos rivais do PT no Estado. Até uma aproximação com o PP foi ensaiada, mas sem sucesso. Também compõem a base aliada o PSB, do vice governador eleito, Beto Grill, PC do B, que hoje tem como principal nome Manuela D’Ávila, deputada federal mais votada do Rio Grande do Sul, e o PR.

Na prática, a coalizão carrega a bandeira do desenvolvimento econômico aliado a políticas sociais. Para isso, dependerá de investimentos do governo federal, uma vez que a capacidade de investimento do Estado está baixa. Essa, aliás, foi uma das principais bandeiras do petista. Pela primeira vez desde o governo de Antonio Britto (1995-1999), o governo do Estado será aliado do governo federal. Tarso usou esse trunfo na campanha, que agora poderá ser usado na gestão do Estado.

Sua antecessora, Yeda Crusius, comandou o Rio Grande do Sul com o discurso de economia em prol do equilíbrio fiscal. Porém, seu governo ficou marcado pelas denúncias de corrupção e pelas brigas com seu vice, Paulo Afonso Feijó (DEM). Além disso, o governo Yeda foi bastante criticado pela falta de investimentos em educação e saúde. Mesmo na segurança, uma das áreas em que a governadora mais investiu, restaram vários “esqueletos”, como a construção de novos presídios.

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