Antes de tirar Jobim, Dilma dá ao ministro chance de se demitir

Segundo fontes palacianas, presidenta pediu a Jobim que antecipe a volta de Tabatinga, na Amazônia

iG São Paulo |

A presidenta Dilma Rousseff já decidiu que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, está fora do governo, mas resolveu dar ao auxiliar a chance de tomar a iniciativa de se demitir ao cargo. De acordo com uma fonte do governo, Dilma quer que o ministro apresente seu pedido de demissão ainda hoje, caso contrário será demitido na volta de sua viagem a Tabatinga, na Amazônia.

Como antecipou no início da tarde a coluna Poder Online , Dilma decidiu demitir Jobim depois de ter acesso ao texto da entrevista concedida por ele à revista Piauí , na qual diz que o governo é "atrapalhado" e faz críticas às colegas de Esplanada Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann.

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A presidenta Dilma Rousseff, com o ministro Nelson Jobim

Em trechos da entrevista, antecipados nesta quinta-feira pelo jornal Folha de S. Paulo , o ministro da Defesa descreveu Ideli como "fraquinha" e disse que Gleisi "não conhece Brasília". Também criticou o governo pela maneira como, dois meses atrás, tratou da Lei de Acesso à Informação, promovendo vários recuos ao se posicionar sobre o sigilo dos documentos ultrassecretos. Dilma reuniu-se hoje de manhã com Ideli e Gleisi para tratar do assunto.

Jobim está no Amazonas para a criação de um plano de segurança de fronteiras em conjunto com a Colômbia e deve retornar a Brasília no final da tarde, informou a assessoria do Ministério da Defesa. Dilma, segundo interlocutores, teria pedido ao ministro que antecipasse a volta à capital federal .

A avaliação feita por Dilma foi a de que a entrevista de Jobim o deixou numa "posição política insustentável". Dilma ficou irritada com o fato de Jobim ter se encontrado ontem com ela e, na audiência, não ter falado sobre as críticas às ministras. Antes da reunião no Planalto, a presidenta havia recebido no Palácio da Alvorada o assessor de Jobim, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino. 

Ontem, Dilma já havia tomado conhecimento das declarações , que chegaram a ser discutidas internamente no PT. Ainda assim, Jobim empenhou-se em negar na tarde de hoje que tenha atacado colegas de Esplanada , em nota oficial divulgada em meio à repercussão da entrevista.

Ontem, no início da noite, Jobim ligou para Ideli Salvatti, falou da reportagem e disse que as palavras dele estavam "fora de contexto". Ideli foi até a presidenta e fez o relato sobre o que ouvira de Jobim. Hoje de manhã, quando já estava na Amazônia, a caminho da Tabatinga, Jobim tentou falar também com Gleisi Hoffmann. A ministra-chefe da Casa Civil não quis atender o ministro e mandou dizer, depois, por meio de seus assessores, que as opiniões do colega da Defesa era "irrelevantes".

Embora o cenário ainda seja incerto sobre quem pode substituir Jobim, setores do Planalto citam o nome do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP). Alguns assessores citam também a possibilidade de o vice-presidente, Michel Temer , assumir temporariamente, se for necessário. O atual ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, também aparece na lista. De acordo com um alto petista, o quadro no momento penderia para o deputado do PC do B. 

*Com reportagem de Ricardo Galhardo, enviado ao Rio, e informações da Agência Estado e da Reuters

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