Ana será voz de Eduardo Campos em Tribunal de Contas por 6 anos

Porém, Lula e Aécio foram decisivos para garantir vitória da mãe do governador de Pernambuco

Adriano Ceolin, iG Brasília |

Agência Brasil/Wilson Dias
Ana Arraes comemora vitória no plenário da Câmara
Com apenas um mandato concluído no currículo, a deputada federal Ana Arraes (PSB-PE), 64 anos, foi escolhida hoje por seus colegas para ocupar uma vaga de ministra no Tribunal de Contas da União (TCU). Ela bateu Aldo Rebelo (PC do B-SP) por 222 votos a 149, em votação secreta. A deputada socialista contou com cabos eleitorais de peso como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Aécio Neves (PSDB). Para a vitória, porém, pesou sobretudo a disposição do filho e governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), em fazer da mãe ministra do TCU, cujo mandato vai até 2017. A escolha ainda precisa ser apreciada pelo Senado.

O Palácio do Planalto preferiu não se meter na disputa, já que todos os candidatos ao posto eram de partidos base governista. A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) chegou até a criticar o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), que estava na linha frente da articulação em favor de Aldo Rebelo. Depois do comunista e Ana, o candidato mais forte era Átila Lins (PMDB-AM), que teve 47 votos e ficou em terceiro lugar.

O cargo de ministro do TCU é estratégico para governos, municipais, estaduais e, claro, para a União . Formado por nove ministros, o órgão tem como função constitucional auxiliar o Congresso na fiscalização de gastos e obras do Executivo. Na prática, porém, esse auxílio é super poderoso. O TCU, por exemplo, pode determinar a paralisação de obras, alegando diversos tipos de problemas. O tribunal também tem condições de desqualificar uma empresa prestadora de serviços ao governo. Além disso, um ministro ganha salário de R$ 25 mil e, aos 70 anos, se aposentadoria com valor integral.

No caso de Ana Arraes, a chegada ao TCU une o útil ao agradável. Ela garantirá uma aposentadoria invejável e ajudará Eduardo Campos a conquistar um relevante espaço de poder. Governador da região Nordeste com maior índice de aprovação, ele tem pretensão (e é cortejado) para disputar a vice-presidência numa chapa encabeçada pelo PT ou PSDB. Sonha também com a hipótese de ele ser o cabeça de chapa num quadro eleitoral em que a presidenta Dilma Rousseff esteja mal avaliada.

Ana Arraes poderá ficar no TCU até 2017, quando completará 70 anos. Filha do ex-governador pernambucano Miguel Arraes (1916-2005), Ana só começou a militar politicamente a partir de 1991. Até então, não era filiada a nenhum partido. Formada em direito há 15 anos, foi secretária do Tribunal Contas do Estado de Pernambuco e atuou como técnica judiciária do Tribunal Regional do Trabalho da 6ª região.

Ana Arraes foi secretária parlamentar na Câmara dos Deputados entre 1998 e 2006. No mesmo período, o filho era deputado federal. Em 2006, Eduardo Campos resolveu disputar o governo de Pernambuco num cenário desfavorável. Na oportunidade, seus concorrentes eram Mendonça Filho (PFL),que tinha o apoio do então governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) e, Humberto Costa (PT) , que contava com o apoio de Lula. Como forma de guardar sua cadeira na Câmara, Campos sugeriu que Ana disputasse. Ela venceu. Em 2010, concorreu a mais um mandato e saiu vitoriosa de novo.

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