Amigos e parentes de jornalista pedem condenação de Ustra

Coronel que comandava DOI-Codi é acusado de ordenar tortura que resultou na morte de Luiz Eduardo Merlino

iG São Paulo |

AE
Testemunhas que atestaram ordens de tortura dadas pelo coronel Ustra foram ouvidas na última semana, em São Paulo
Colegas e parentes de Luiz Eduardo Merlino se reuniram em São Paulo, neste sábado, para lembrar os 40 anos da morte do jornalista. O encontro foi marcado por manifestações em favor da condenação do coronel reformado do Exército Carlos Alberto Brilhante Ustra, acusado de dar as ordens que resultaram na morte de Merlino quando comandava o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi).

Merlino foi membro do Partido Operário Comunista (POC) e da Quarta Internacional. Ele foi preso em 15 de julho de 1971, onde foi torturado e morreu. “A Lei de Anistia não permite que ele seja acusado criminalmente. Então, nós queremos que Ustra seja, pelo menos, oficialmente reconhecido como um assassino”, afirmou Angela Mendes de Almeida, historiadora e ex-companheira de Merlino.

Na última quarta-feira, seis testemunhas de acusação contra Ustra foram ouvidas pela juíza Claudia Lima, da 20ª Vara Cível de São Paulo. Todos endossaram a versão de que Ustra foi autor das decisões que resultaram na morte de Merlino. As testemunhas disseram que a tortura pela qual o militante foi submetido teria causado ferimentos graves e gangrena nas pernas. Disseram que, mesmo após a tortura, ele ainda poderia ter sobrevivido caso tivesse as pernas amputadas. Entretanto, afirmaram, Ustra determinou que o procedimento não fosse realizado.

Testemunhas de defesa de Ustra ainda serão ouvidas pela Justiça. Só depois disso, a decisão sobre a responsabilidade do coronel pela morte será anunciada. Para o militante da Quarta Internacional João Machado, contudo, o evento de hoje pressiona a Justiça para que a sentença saia o quanto antes. “É um sinal de pressão”, afirmou Machado. “Agora, vamos ver o que a Justiça dirá. Nem sempre a Justiça é justa.”

Na quarta-feira, após os depoimentos de acusação, o advogado de Ustra, Paulo Alves Esteves, reiterou que seu cliente afirma jamais ter participado de qualquer ato de agressão ou de violência contra qualquer pessoa. Segundo o advogado, Ustra disse que “nunca determinou nada contra ninguém”.

*Com informações da Agência Brasil

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