‘Amigos’ de Cachoeira polarizam disputa pela Prefeitura de Goiânia

Na capital de Goiás, quatro pré-candidatos já foram flagrados com algum tipo de conversa com o empresário de jogos de azar

Wilson Lima, iG Brasília |

As eventuais relações do empresário de jogos de azar Carlos Cachoeira com os pré-candidatos a prefeito da capital de Goiás devem nortear as discussões e as estratégias de cada um na disputa eleitoral em 2012. Os cinco pré-candidatos já foram citados tendo alguma conversa ou ligação com o bicheiro, preso dia 29 de fevereiro pela Polícia Federal (PF), durante a operação Monte Carlo.

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AE
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Uma pesquisa realizada em março pelo jornal local Diário da Manhã apontava o atual prefeito de Goiânia, Paulo Garcia (PT), como líder na corrida eleitoral com 28,7% das intenções de voto. O vereador do PSOL, Paulo Vaz, aparecia em segundo com 13%. Os deputados federais Leonardo Vilela (PSDB) e Jovair Arantes (PTB) estavam com 8,7% e 5,4% das intenções de voto. Mas, na disputa, também deve figurar outro deputado federal: Sandes Júnior (PP).

Depois da divulgação desta pesquisa, surgiram gravações ligando os pré-candidatos ao Carlos Cachoeira o que, conforme alguns políticos goianos, ajudou a embolar esse cenário. A questão agora é como essa associação com Cachoeira vai ser explorada durante a campanha eleitoral.

O prefeito Paulo Garcia foi envolvido no caso Cachoeira de forma indireta após seu assessor, Cairo de Freitas, ter articulado uma reunião para discutir a liberação das obras de um parque em Goiânia, o Parque Mutirama, questionadas na Justiça pelo PSOL, por indícios de superfaturamento na compra de brinquedos. Freitas pediu exoneração do cargo, mas a imagem do prefeito ficou arranhada em Goiânia.

Por consequência, o vereador Paulo Vaz acabou envolvido no episódio por ter participado dessa reunião organizada por Freitas. Ele disse que Cachoeira fez apenas uma citação durante esse encontro para achar um acordo e que não tem qualquer relação com o bicheiro, apesar de conhecê-lo há mais tempo. “A questão agora é como vão explorar essa ligação do Carlinhos Cachoeira com os políticos locais. Eu não vou negar que conversava com Cachoeira. Conversava. O problema é que tipo de conversa. Eu falava com ele amenidades. Não havia corrupção envolvida“, defendeu-se Vaz.

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Vilela, segundo o inquérito da Polícia Federal, pediu emprego para a filha no Instituto de Ciências Farmacêuticas de Estudos e Pesquisas (ICF), que pertence ao grupo de Cachoeira. Além disso, o parlamentar tucano foi incluído na lista de pessoas ligadas ao bicheiro. Em nota oficial, Vilela admitiu que pediu ajuda. Mas o fez como pai, não como político.

Já Jovair Arantes (PTB) pediu a Cachoeira doações para a campanha eleitoral deste ano. Ele afirma que fez o pedido porque Cachoeira era um empresário bem sucedido em Goiás e que não cometeu qualquer tipo de irregularidade. Ele também é suspeito de ter envolvimento indireto no grupo comandado por Cachoeira.

Outro flagrado em escutas telefônicas com Cachoeira é o ex-radialista Sandes Júnior. Júnior já responde a uma investigação na Corregedoria da Câmara após ser flagrado fazendo uma negociação direta com Cachoeira. Ele nega oficialmente manter qualquer negócio com o bicheiro. Júnior inclusive foi obrigado a interromper as articulações eleitorais após ter sido divulgada sua suposta ligação com Carlinhos Cachoeira.

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