Ameaçado, Lupi diz estar com a 'consciência tranquila'

Ministro do Trabalho disse ser contra retaliações por conta dos votos contrários ao projeto do governo na Câmara

Nara Alves, iG São Paulo |

O ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT) afirmou nesta sexta-feira (18) na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) que está com a “consciência tranquila” depois da votação, ocorrida ontem na Câmara, em que foi aprovado o projeto de R$ 545 para salário mínimo. A afirmação do ministro ocorre após uma divisão nos votos de seu partido: 16 deputados votaram com o governo e 9 apoiaram o mínimo de R$ 560.

Em reunião com o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP) e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf (PSB-SP), Lupi disse que conversou ontem com a presidenta Dilma Rousseff (PT) e afirmou não ter tratado com ela sobre sua eventual saída do governo. “Quem tem que responder sobre isso é a presidenta. O meu cargo é de confiança”, afirmou o ministro.

AE
O ministro do Trabalho Carlos Lupi (PDT) esteve nesta sexta-feira na Fiesp, em São Paulo
Ao se referir ao que chamou de “excelente” café-da-manhã que teve com o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (PDT-SP), Lupi disse ser contra retaliação a quem votou no projeto de R$ 560, defendido pelo DEM . “Eu não acho que seja inteligente fazer retaliação com ninguém (...) tem que ser grandioso na vitória porque depois não sabe perder”, alfinetou o ministro.

O ministro do Trabalho negou ainda que tenha se empenhado para convencer os deputados da bancada do PDT a votar no projeto do governo, de R$ 545. “Cada deputado deve votar sempre de acordo com a sua consciência. Cada um fala o que quiser na democracia. Como estou no governo, tenho que apoiar a proposta do governo”, completou.

Lupi ainda falou sobre a insatisfação gerada pela sua permanência no cargo ao comentar a fala de um deputado que chegou a dizer, durante seu voto, que o ministro “voltaria à banca para vender jornal”, profissão que exercia antes de entrar para a vida política. “Graças a Deus eu posso vender jornal. Tem gente que não tem o que vender (...) eu estou sempre feliz na banca ou no ministério”.

Enquanto o PMDB deu todos os seus 77 votos ao projeto do governo, a bancada de 27 deputados do PDT se dividiu na votação: 16 ficaram do lado do governo e 9 apoiaram o mínimo de R$ 560. Esse racha contribuiu para uma possível saída de Lupi. Entretanto, o líder do governo na Câmara, o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), afirmou na quinta-feira (17) que o governo não deve promover retaliações ao PDT por ter liberado sua bancada para votar no valor do mínimo de R$ 560.

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