Alta de juros é ato de responsabilidade, diz Dilma

Dilma chegou a Agrishow acompanhada do pré-candidato ao governo de SP, Aloizio Mercadante, de Marta Suplicy e de Antônio Palocci

Marcelo Diego, enviado a Ribeirão Preto (SP) |

A pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse nesta quinta que a elevação da taxa básica de juros foi uma demonstração de responsabilidade do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, do qual ela foi ministra da Casa Civil até o mês passado. “Não vamos deixar de tomar as medidas necessárias só porque este é um ano eleitoral”, afirmou Dilma.

O Banco Central aumentou em 0,75 ponto percentual a Selic (taxa básica de juros) em reunião finalizada na quarta-feira. Alegando pressões inflacionárias e a necessidade de diminuir o consumo, a autoridade monetária fixou os juros em 9,75% ao ano.

AE
Dilma beija eleitores e sobe em trator em feira agrícola
A declaração de Dilma aconteceu durante visita à Agrishow (Feira Internacional de Tecnologia Agrícola em Ação), que acontece desde segunda-feira em Ribeirão Preto. É a principal feira do setor agropecurário realizado no País, com 730 expositores e giro de negócios próximo a R$ 1 bilhão.

Durante a semana, diversos empresários e representantes de classe manifestaram contrariedade com os juros elevados, que inibiriam a produção. A pauta de reivindicações incluía ainda pedidos de subsídio ao setor, criação de um seguro específico de proteção a safra, mudanças nas legislações trabalhistas e ambiental.

“Nosso compromisso é na garantia da estabilidade de preços, para que o trabalhador não perca o poder de compra de seu salário. Acreditamos que é possível aliar crescimento econômico acima de 5,5% com inflação sob controle”, afirmou a pré-candidata. “No meu governo vou seguir com este compromisso”, complementou, num sinal de manutenção da atual política monetária.

Se essa política sofre críticas do setor agropecuário _responsável isolado por quase 1/3 do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro_, Dilma deu duas declarações de aproximação ao setor. Primeiro, ao dizer ser contrária às invasões de terras produzidas por movimentos sociais. “Movimento é movimento, governo é governo, mas a lei é única para todo mundo. Sou contrária a qualquer tentativa de criar prejuízo a quem não é responsável pela política. Sou contra a invasão de terras e não acho que seja correta a atitude violenta dos movimentos”, afirmou. Estudo realizado pela CNA (Confederação Nacional da Agricultura) estimou em R$ 9 bilhões os prejuízos aos produtores brasileiros devido ao “abril vermelho”, onda de invasões promovida pelo MST no País.

Dilma também afirmou conhecer a necessidade de continuidade na política de expansão de crédito para o agronegócio. “Acho que o presidente Lula terá boas notícias para dar para vocês nos próximos dias”. Ela disse que em 2003 o estoque de financiamento disponível era de apenas R$ 400 milhões contra aproximadamente R$ 1,4 trilhão atualmente.

A pré-candidata do PT também sinalizou que irá apoiar uma reforma tributária que desonere setores produtivos, uma antiga reivindicação na pauta agropecuária brasileira. “Durante a crise, diminuímos o PIS e o COFINS de bens de capital e isso se mostrou eficiente. Vamos ter que perenizar algumas dessas políticas. Os benefícios trazidos para a produção foram mostrados durante a crise”, disse, referindo-se ao período momentâneo de contrição atravessado pelo Brasil em 2009, na esteira da crise financeira global.

A ex-ministra da Casa Civil chegou por volta das 11h45 à fazenda experimental onde acontece a Agrishow. Foi recebida pelo presidente da feira e da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cesário Ramalho. Andou pelos estandes, posou para fotos e cumprimentou visitantes. Estava acompanhada do deputado federal Antonio Palocci Filho, um dos seus coordenadores de campanha e ex-prefeito de Ribeirão Preto, de Marta Suplicy, candidata do partido ao Senado, e de Aloizio Mercadante, candidato ao governo.

    Leia tudo sobre: AgrishowDilma Rousseff

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG