'Aloprado' vai ajudar a financiar futuro escritório de Lula

iG apurou que Osvaldo Bargas está entre os que contribuem para pagar a estrutura que será usada pelo ex-presidente

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

O ex-presidente do Sebrae e ex-tesoureiro de campanhas do PT Paulo Okamotto está em busca de financiadores para o instituto que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende criar. Segundo Okamotto, enquanto não define o formato da nova entidade, Lula vai usar as estruturas física e jurídica do Instituto Cidadania, bancado por cerca de 30 sócios, entre eles o próprio ex-presidente do Sebrae, o deputado Arlindo Chinaglia, a ex-assessora especial da Presidência Clara Ant, o deputado e ex-tesoureiro de campanhas José de Filippi Jr. e o ex-secretário do Ministério do Trabalho Osvaldo Bargas.

Bargas foi um dos pivôs do caso que ficou conhecido como o escândalo dos aloprados. O termo foi usado pelo próprio Lula para descrever petistas que foram presos em um hotel em São Paulo, tentando comprar um dossiê para prejudicar tucanos na eleição de 2006. Bargas era apontado na investigação como intermediador de uma entrevista sobre o conteúdo do suposto dossiê, que serviu de estopim para a crise. Quatro anos depois, nenhum dos envolvidos no escândalo foi punido ou denuniado.

"Vamos pedir dinheiro para todo mundo que quiser dar. Pode divulgar meu telefone aí. Quem quiser ajudar pode procurar a mim ou à Clara ( Ant )”, disse Okamotto ao iG , em tom de ironia. Ontem Clara e Okamotto receberam na sede do Instituto Cidadania funcionários da empresa encarregada de fazer os reparos necessários do prédio de dois andares no Ipiranga.

“Não será uma reforma. O que vamos fazer é pintar, trocar os computadores e arrumar algumas goteiras pois o prédio ficou muito tempo sem uso”, disse Okamotto. Além de Lula, a ex-primeira-dama Marisa Letícia, os ex-ministros Paulo Vannuchi (Direitos Humanos) e Luiz Dulci (Secretaria Geral), além de Okamoto e Clara, terão salas no local.

Criado em 1990, logo depois da derrota de Lula para Fernando Collor de Mello no ano anterior, o Instituto Cidadania foi a plataforma do “governo paralelo” anunciado pelo petista e fomentou o debate sobre políticas públicas até a eleição de 2002. Entre os projetos gerados pelo instituto está o Fome Zero, embrião do Bolsa Família, o mais exitoso programa social do governo Lula.

Segundo o ex-presidente do Sebrae, os 30 sócios do instituto dão uma contribuição modesta mensalmente para arcar com os custos de aluguel, salário do vigia e manutenção do prédio, que ficou inativo durante oito anos. “É uma quantia pequena que não pesa no bolso de ninguém”, disse Okamotto que, no entanto, se recusou a informar os custos de manutenção.

O sobrado bege de vidros fumê vizinho ao Museu do Ipiranga, no local onde Dom Pedro I teria proclamado a independência do Brasil, servirá a Lula apenas provisoriamente, enquanto o ex-presidente não define como será o instituto com seu nome que servirá de base para manter seu espaço na cena política. “A intenção é definir o instituto do Lula e depois extinguir o Instituto Cidadania”, disse Okamotto.

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