Aliança com PMDB é porta de entrada no governo, diz ACM Neto

Líder do DEM na Câmara dos Deputados diz que aliança entre as duas siglas para 2012 pode ajudar seu partido a conseguir aprovar projetos e liberar recursos no Planalto

Thiago Guimarães, iG Bahia |

Divulgação/Max Haack/Agência Haack
O deputado federal ACM Neto, durante entrevista na Bahia: "Ninguém em Salvador me responsabiliza pela administração de João Henrique".
O deputado federal ACM Neto, líder do DEM na Câmara, confirmou nesta sexta-feira (22) que seu partido mantém negociações com o PMDB com vistas a alianças nas eleições municipais de 2012. Justificou as conversas como possível “porta de entrada” para os democratas no governo federal, em termos de aprovação de projetos e liberação de recursos.

Para o deputado, contudo, o fato de o PMDB ser o principal aliado do governo Dilma Rousseff também é o “principal entrave” para a consolidação de eventuais acordos. “Mas essa (2012) não é uma eleição nacional. Até porque o PMDB, com os ministérios que possui, pode ser uma porta de entrada no governo federal”, afirmou.

Na última terça-feira (19), o iG informou que as negociações entre DEM e PMDB rumo a 2012 passam por composições para as eleições em São Paulo e em Salvador.

O apoio dos democratas ao PMDB na capital paulista está condicionado a um acordo na Bahia – o DEM indicaria o vice do candidato Gabriel Chalita (PMDB-SP) e os peemedebistas baianos apoiariam ACM Neto, caso o deputado confirme sua candidatura.

Em público, no entanto, o neto de Antônio Carlos Magalhães (1927-2007) nega que haja condição para a aliança, e procura não melindrar eventuais aliados. “Não existe condicionante: eu te apoio aqui em troca do apoio acolá. (...) Até porque aqui em Salvador esse diálogo tem que incluir outros partidos, a exemplo do PSDB”, afirmou.

O PMDB, com os ministérios que possui, pode ser uma porta de entrada no governo federal”, afirma o deputado

Em 2008, na eleição vencida em Salvador pelo prefeito João Henrique (eleito pelo PMDB, hoje no PP, da base do governador petista Jaques Wagner), ACM Neto ficou em terceiro lugar, com 26,6% dos votos.

O democrata chegou a liderar as pesquisas até um mês antes das eleições, mas perdeu terreno após a campanha petista, do atual senador Walter Pinheiro, ter usado um discurso do deputado na Câmara em que ele ameaçava dar uma “surra” no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A partir daquele momento a campanha do DEM entrou na defensiva e passou a declinar.

No segundo turno daquele pleito, ACM Neto acabou apoiando João Henrique contra Pinheiro. Para o cientista político Paulo Fábio Dantas, foi uma estratégia - exitosa - do DEM para “estancar a sangria” de quadros que sofria desde 2006, sobretudo para o PMDB, e tentar enfraquecer a situação no Estado, ou seja, o PT.

O DEM mantém hoje dois cargos no governo João Henrique, entre eles a presidência da Saltur (Salvador Turismo). Questionado pelo iG , ACM Neto diz que a presença na administração municipal não prejudicará o DEM em 2012 – o prefeito João Henrique, em segundo mandato, sofre crise financeira na gestão e ostenta baixos índices de popularidade .

“Não vai atrapalhar. Ninguém em Salvador me responsabiliza pela administração de João Henrique, e nem pode. Nossa participação é limitada, por isso responderei pelo trabalho da Saltur”, afirmou.

ACM Neto disse ainda que gostaria de ser prefeito para “deixar uma marca muito forte” na capital baiana, mas evitou dar sua candidatura como consolidada. “Poderia estar aqui impondo minha candidatura a prefeito, porque estou em primeiro lugar nas pesquisas, mas não estou impondo”, afirmou.

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