Em ligações, Dadá conta que se indispôs com ex-delegado da PF, Daniel Lorenz, para defender Protógenes; deputado nega amizade

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Em duas interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal na Operação Monte Carlo, Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, afirma ser muito amigo do deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP). Dadá é acusado de integrar equipe de arapongas do contraventor Carlinhos Cachoeira, preso em operação da Polícia Federal .

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O delegado Protógenes Queiroz afirma que sua relação com Dadá foi profissional
AE
O delegado Protógenes Queiroz afirma que sua relação com Dadá foi profissional

Protógenes afirmou na quarta-feira que teve relação profissional com Dadá quando este era membro do Serviço de Inteligência da Aeronáutica e trabalharam juntos na Operação Satiagraha, em 2008, que prendeu o banqueiro Daniel Dantas. "Nossos contatos eram relativos à atividade de inteligência", afirmou Protógenes sobre Dadá.

Nas gravações, Dadá não apenas fala de sua amizade por Protógenes, como também conta que chegou a se indispor com o então delegado da Polícia Federal (PF), Daniel Lorenz, para defender o amigo. No grampo de mais de 5 minutos, no dia 20 de dezembro de 2011, Dadá conversa com o policial civil Ventura, da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, sobre a nomeação de Lorenz para comandar o órgão.

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Dadá diz que Lorenz "é um cara bom", mas acrescenta: "Meu problema com ele é que ele queria que eu botasse o Protógenes na mão dele e esse negócio é o seguinte, cara, você vai para vala com os amigos, né."

Em outra conversa de 6 minutos, grampeada no dia 14 de janeiro do ano passado, Dadá conta para um determinado Serjão que tentou arrumar emprego no gabinete do deputado Protógenes para uma ex-secretária do deputado Laerte Bessa (PMDB-DF), derrotado nas eleições.

No meio da conversa ele diz: "...aí eu liguei para o Protógenes, eu sou muito amigo do Protógenes, ele está na Bahia, na Bahia. Falei Protógenes em seu gabinete como é que tá? Ele disse, tá fechado, não tem jeito de botar mais ninguém."

Mais na frente, o diálogo grampeado chama a atenção por ser um dos poucos em que Dadá fala o nome completo de Cláudio Monteiro, chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz, que deixou o cargo na última terça-feira para se defender da acusação de receber propina para favorecer empresas de limpeza urbana.

Dadá pergunta a Serjão: "O pessoal foi lá no Cláudio Monteiro ou não....mas que foram, foram, né?" No final, ele retoma o nome do ex-auxiliar de Agnelo para falar da nomeação do diretor do Serviço de Limpeza Urbana (SLU). "Amanhã, os meninos vão estar com Cláudio Monteiro, só pra saber como é que está a questão do SLU, quando é que o João Monteiro assume."

A reação do deputado Protógenes, de negar amizade com Dadá, ocorreu após o jornal O Estado de S.Paulo divulgar seis conversas em que eles acertam encontros para tratar dos depoimentos no inquérito da Operação Satiagraha.

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