Alerj anula concurso para taquígrafo por irregularidades na prova prática

Candidatos representaram ao MP pelo cancelamento da etapa, com provas em horários diferentes, som ruim e confusões

Raphael Gomide, iG Rio de Janeiro |

Gabriel de Paiva / Agência O Globo
Alerj anulou a prova prática para taquígrafos, após confusão
A Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) anulou a prova prática para o cargo de taquígrafo da Casa, após um grupo de candidatos representar ao Ministério Público do Estado, reclamando de irregularidades no concurso. O certame, porém, não foi anulado.

Segundo nota da assessoria de imprensa da Alerj, a medida se deveu a "falhas no sistema de som do plenário". Uma nova prova será aplicada em 16 de outubro.

O teste prático anulado foi realizado em três horários no domingo para grupos diferentes dos 195 postulantes a 25 vagas, com salário-base de R$ 1.849,94. Diferentemente do padrão de provas para taquígrafo, inclusiva da Casa, o texto não foi ditado presencialmente: uma gravação foi tocada, no plenário da Alerj, conhecido pela péssima acústica nos dias de sessão parlamentar.

A má qualidade do áudio e a acústica deficiente estiveram entre os principais motivos de protesto, tendo em vista que, para as notas taquigráficas, é fundamental ouvir bem o texto para reproduzir corretamente.

Os alunos da primeira sessão de provas tiveram o texto repetido uma vez, enquanto os demais só tiveram uma oportunidade de ouvir e registrar as notas taquigráficas, o que lhes teria garantido vantagem em relação aos outros dois grupos.

Apesar disso, foi justamente o primeiro grupo a fazer a prova o que mais teve problemas e pediu a anulação da prova. Durante o teste, a gravação foi tocada, interrompida, tocada novamente, dando início a uma grande confusão, com reclamações e bate-bocas entre candidatos e a organização.

“Soltaram a gravação do texto da prova. Foi um tal de ‘para, para’; depois ‘continua, continua’, e o desespero tomou conta de mim, eu não sabia se olhava para a frente, se taquigrafava, se já era a prova, se não era”, relatou uma candidata ao iG , segundo quem a confusão deixou todos muito nervosos e tensos.

A mesma candidata relatou que sua prova não foi desidentificada, como é previsto no edital. "O candidato deverá entregar a transcrição manuscrita, que será desidentificada na presença do candidato, para posterior correção", afirma o texto do concurso.

A medida é tida como importante para dificultar eventuais favorecimentos no certame. Boa parte dos candidatos já atua na Alerj – como contratada, em gabinetes de deputados – e pretende obter uma matrícula permanente no Legislativo.  Um candidato disse que ao pedir para ter a prova desidentificada, ouviu da aplicadora que isso seria feito posteriormente, em medida que contraria o edital.

Outra irregularidade alegada pelos candidatos foi a presença do Diretor do Serviço Taquigráfico da Alerj, Fernando Salgado, no local, embora o concurso fosse responsabilidade da Ceperj, fundação responsável pela promoção de concursos públicos estaduais.

A Assembleia, no Diário Oficial desta quinta-feira, anunciou a anulação da prova prática, mas não do concurso. Em comunicado de imprensa, esta tarde, a Alerj afirma que "devido a falhas no sistema de som do Plenário Barbosa Lima Sobrinho, na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), a prova prática para o cargo de taquígrafo, realizada no último dia 02/10/11, foi anulada". A prova será realizada novamente em 16 de outubro.

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