Após desgaste entre governo Serra e sindicalistas, tucano pede diálogo e estuda abrir espaço para lideranças em seu governo

A pouco mais de um mês para o início de seu mandato, o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ensaia uma aproximação com o movimento sindical para atenuar o desgaste entre as centrais e o governo paulista ocorrido durante os quase quatro anos da gestão Serra.

O governador eleito de SP, Geraldo Alckmin
Agência Estado
O governador eleito de SP, Geraldo Alckmin
O aceno foi feito nesta segunda-feira, quando Alckmin se reuniu, pela manhã, com nove lideranças sindicais – todas ligadas à Força Sindical ou à União Geral dos Trabalhadores (UGT) – e sinalizou que, em seu governo, pretende manter um canal permanente de negociação.

“Quanto mais nós ouvirmos, menos nós vamos errar”, disse o governador, após o encontro.

Em troca de apoio, as centrais pedem que o próximo secretário do Emprego e Relações do Trabalho do Estado seja indicado pelas entidades. Um dos nomes aventados é o do deputado estadual Davi Zaia (PPS), ligado aos bancários. Setores da Força, no entanto, rejeitam a opção e pedem que haja consenso em torno do indicado.

A pasta, sob Serra, era chefiada por um empresário, o vice-governador eleito Guilherme Afif Domingos (DEM).

Os sindicalistas também pleiteiam vagas nos conselhos do próximo governo, como de desenvolvimento social.

Após o encontro, Alckmin negou que o nome do próximo secretário tenha sido discutido com os sindicalistas. “Não tem pressão. O único pleito que colocaram é pelo dialogo permanente com o governo”, disse.

“Não tínhamos dialogo com governador do Estado há muito tempo. Os canais foram fechados no último mandato, e houve um grande distanciamento entre governo e movimento sindical. E levantamos essa preocupação a ele (Alckmin)”, disse, também após o encontro, o vice-presidente da Força, Miguel Torres.

"No próximo governo temos tudo para recuperar essa aproximação. Senti um clima favorável para isso”, disse.

Torres lembrou que, na campanha eleitoral, a maioria das lideranças sindicais gravitaram em torno da candidata Dilma Rousseff (PT). Segundo ele, no entanto, o fato de parte das entidades, como a Força, estar no barco do governo federal não impede a reaproximação com o governo paulista.

“O que levamos para o governador é que temos enfrentado problemas no Estado, principalmente com acidentes de trabalho, que cresceram muito por causa do excesso de horas trabalhadas, sem hora extra”, disse.

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