Alckmin escala 'tropa de choque' para elevar pressão sobre Serra

Preocupado com prévias, governador recruta aliados para convencer antecessor a confirmar candidatura à prefeitura paulistana

Clarissa Oliveira e Nara Alves, iG São Paulo |

À frente das negociações para viabilizar uma candidatura do ex-governador José Serra à Prefeitura de São Paulo, o governador Geraldo Alckmin montou uma espécie de tropa de choque com a missão de elevar as pressões sobre o colega de partido. Preocupado com o desgaste de manter no calendário as prévias para a escolha de um pré-candidato e com o contra-ataque do PT para tentar amarrar um acordo com o prefeito Gilberto Kassab, Alckmin mobilizou aliados em todas as frentes para convencer Serra a oficializar o quanto antes sua disposição de entrar na corrida municipal .

Análise: Serra e Kassab estão fazendo o PT de bobo?
Resposta:
'Kassabistas' do PT buscam saída para fracasso iminente
Mudanças: PSDB diz ver 'chance concreta' de uma candidatura de Serra à prefeitura

Agência Estado
Em meio às negociações com Serra, maior preocupação da tropa alckmista se refere às prévias marcadas para 4 de março
Nomes como os secretários Sidney Beraldo (Casa Civil) e Edson Aparecido (Desenvolvimento Metropolitano) foram recrutados para lidar diretamente com Serra e seus interlocutores, além de assegurar a coesão da administração estadual em torno do nome do ex-governador. O deputado Duarte Nogueira (PSDB-SP) recebeu a missão de comandar a conversas com a bancada paulista no Congresso, enquanto a articulação da bancada estadual conta com o líder do governo Samuel Moreira. Ao presidente municipal do partido, Julio Semeghini, foi dado o encargo de apaziguar os ânimos dos pré-candidatos já inscritos na disputa interna.

Movimentação: Em nota, bancada do PSDB em SP defende candidatura de Serra

Ao manifestar a Alckmin sua disposição de considerar uma candidatura, como noticiou nesta semana o jornal Folha de S. Paulo , Serra fez chegar ao governador as condições para avaliar sua entrada na disputa. Além da garantia de que eventuais resistências no PSDB serão controladas, Serra quer de Alckmin o compromisso de que vai se empenhar pessoalmente para viabilizar sua eleição. Serra já participa ativamente das conversas, mas colocou em campo ao menos quatro interlocutores: o ex-governador Alberto Goldman – a quem coube, por exemplo, entregar a Alckmin uma lista de condições para sua entrada na disputa – , o senador Aloysio Nunes, o ex-presidente do PSDB na cidade José Henrique Reis Lobo e o deputado Jutahy Magalhães Junior.

Prévias


A maior preocupação da tropa alckmista, no momento, se refere às prévias agendadas pelo PSDB paulistano para o dia 4 de março. A avaliação é a de que Alckmin ficou com “a batata quente na mão”. O argumento é o de que, sem uma garantia da candidatura de Serra, Alckmin não pode tomar para si o desgaste de ordenar a suspensão do processo. Se deixar as prévias transcorrerem como planejado enquanto Serra decide seu futuro, corre o risco de sobrar com o ônus político de patrocinar todo o processo, apenas para depois convencer o vencedor a desistir da candidatura.

Veja também: PT libera negociações com Kassab para disputa pela Prefeitura de SP
Poder Online: Aliados de Serra apostam que ele será candidato à prefeitura

Até agora, os alckmistas avaliam que dois pré-candidatos não vão impor obstáculos e abrirão caminho para uma candidatura de Serra – os secretários Bruno Covas (Meio Ambiente) e Andrea Matarazzo (Cultura). Os dois têm dito que a decisão final sobre o processo caberá ao governador. A necessidade de buscar uma compensação, afirmam, se aplica principalmente ao deputado Ricardo Trípoli e ao secretário de Energia, José Aníbal. “As prévias são irreversíveis. Todo o partido está mobilizado para as prévias e essa é a vontade do partido na capital”, diz Aníbal. “Eu fico de qualquer maneira até o fim, até dia 4 de março. Estou há 10 meses trabalhando para isso. Tem que ter disputa”, afirma Trípoli.

Enquanto não conseguir uma posição clara de Serra, Alckmin mantém o discurso cauteloso em relação à disputa interna. "As prévias estão mantidas. Não tem nenhum fato novo", afirmou o governador nesta tarde, no Palácio dos Bandeirantes.

Futura Press
Em meio a movimentação de Kassab, alckmistas avaliam que 'o pior já passou'
Frente kassabista

A ação da tropa alckmista passa ainda pela “contenção” das conversas entre Kassab e o PT. Um tucano envolvido nas conversas afirma que "o pior já passou” e que o simples fato de Serra se dispor a negociar a candidatura já foi suficiente para jogar água nas conversas entre o PSD e o comando da campanha do ex-ministro da Educação Fernando Haddad.

Interlocutores de Alckmin, no entanto, não disfarçam a preocupação com o jogo duplo comandado pelo prefeito. Temem o peso da eleição presidencial de 2014 na movimentação do partido do prefeito. Segundo relato de tucanos, Kassab vem repetindo nas conversas reservadas que o PSDB depende dele convencer Serra a disputar. “Ele só se dispõe a conversar sobre a candidatura por minha causa”, afirmou Kassab, segundo relato de um alckmista. Em outros momentos, no entanto, o clima é de descontração. Nesta semana, numa roda de políticos da qual participavam vários prefeitos petistas e apenas um tucano, Kassab até brincou: “Se eu fosse você, tomava cuidado. O PSDB agora é minoria, a maioria é PSD, PSB e PT”, riu o prefeito.

*Com colaboração de Thais Arbex, da coluna Poder Online

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