Governador diz que todas as doações estão dentro da legalidade; petistas envolvidos minimizam irregularidades

Depois do diretório estadual do PSDB divulgar nota rebatendo a ação protocolada nesta semana pela Procuradoria Geral Eleitoral (PGE) questionando possíveis irregularidades na captação de recursos para a campanha eleitoral, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou, nesta quinta-feira (13), que os recursos são legais e que trata-se de “um equívoco”. Segundo o governador, a UTC Engenharia S/A (empresa citada na representação da PGE) não é concessionária e, por isso, não estaria impedida de fazer a contribuição. Além de Alckmin, a Procuradoria entrou com representações na Justiça Eleitoral do Estado contra 16 candidatos eleitos.

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O governador de São Paulo descarta perseguição política e diz que não vai fazer juízo de valor
O governador, que se reuniu na manhã desta quinta-feira (13) para discutir o reajuste do salário mínimo em São Paulo com centrais sindicais, lembrou que a campanha da presidenta Dilma Rousseff também recebeu doações da mesma empresa. “A doação foi feita para a campanha do PSDB, foi feita para o PT e é absolutamente legal”. Questionado se poderia ser algum tipo de perseguição política, Alckmin disse que não vai fazer juízo de valor.

O iG telefonou, na quarta-feira, e deixou recados para os deputados petistas eleitos Cândido Vaccarezza, Carlos Zarattini, Janete Pietá e Rui Falcão, também citados nas representações. Apenas Falcão, deputado estadual reeleito, retornou aos pedidos. Ele argumentou que já foi diplomado e que suas contas foram aprovadas pela Justiça Eleitoral.

Falcão atribuiu a uma “interpretação” do procurador eleitoral o entendimento segundo o qual a empresa UTC Engenharia S/A não poderia ser doadora de campanha por ser concessionária de um serviço público. “Se fosse vedado, a doação não teria sido declarada”, disse.

O deputado recebeu R$ 100 mil da empresa – que também doou para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), também citado em uma das representações. Ao se justificar, Falcão questionou a reportagem sobre se o governador também havia sido procurado para esclarecer a suposta irregularidade.

Falcão, que é acusado também de omitir parte das doações feitas pela empresa Galática Processamento e Assessoria Contábil, disse que vai contestar os argumentos da Procuradoria. Segundo ele, os problemas apontados nas contas dos candidatos endossam a posição do PT para que seja instituído no País um sistema de financiamento público de campanha. “Isso evitaria coisa desse tipo, e evitaria que o candidato ficasse atrás de apoio financeiro em vez de fazer só a sua campanha”, afirmou.

Líder do PT na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Antonio Mentor minimizou as supostas irregularidades e disse que não ver “ligação legal” que impeça a doação das empresas citadas. “É importante verificar se existe alguma relação com o doador e o receptor. Se aquele que recebeu tem alguma vantagem. As campanhas são financiadas por empresas privadas, embora eu não concorde com esse tipo de financiamento”, disse.

Ação

A ação contra Alckmin e outros 16 eleitos em São Paulo foi protocolada no dia 7 no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). A Procuradoria pede investigação judicial eleitoral e cassação dos mandatos. O diretório tucano afirma que vai provar na Justiça o "equívoco do fundamento da representação".

A Procuradoria sustenta que Alckmin, por intermédio do Comitê Financeiro do PSDB, recebeu R$ 700 mil da UTC, que seria uma concessionária do serviço público de exploração de petróleo e gás natural e, portanto, considerada fonte vedada para doações eleitorais.

*Colaboraram Flávia D'Angelo, Nara Alves e Matheus Pichonelli

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