Ala do PT do Maranhão quer abrir CPI para investigar outra ala

Mesmo sem fazer pesquisa científica, presidente da sigla recebe bolsa de estudo do Estado. Petista pró-Sarney nega irregularidade

Wilson Lima, iG Maranhão |

Uma ala do PT do Maranhão que representa 40% do partido quer instaurar, na Assembléia Legislativa do Estado, uma CPI para investigar indícios de irregularidades na concessão de bolsas científicas da Fundação de Amparo a Pesquisa do Maranhão (Fapema) a petistas ligados à governadora Roseana Sarney (PMDB).

Essa ala  é formada pelos petistas que são contra a união do partido com o PMDB na base de sustentação da governadora maranhense. Seu líder é o deputado Domingos Dutra, que chegou a fazer greve de fome contra o apoio da sigla a Roseana.

A imprensa do Estado revelou, com base em dados do Portal da Transparência do governo do Estado, que o secretário-geral do PT no Estado, Fernando Antônio Magalhães de Sousa, teria sido um dos beneficiados por essas bolsas. Fernando é aliado do vice-governador Washington Luís (PT) e teria recebido aproximadamente R$ 32 mil entre janeiro e dezembro de 2010 (cerca de R$ 2,6 mil ao mês) como bolsa de incentivo à pesquisa. Em janeiro, Magalhães foi nomeado assessor do vice-governador Washington Luis. A publicação do ato ocorreu em 1° de janeiro.

A Fapema é um órgão vinculado à Secretaria de Estado da Ciência e Tecnologia (Sectec) e essas bolsas são reservadas apenas a alunos de graduação ou pós-graduação que ainda possuem vínculo com a Universidade Federal do Maranhão (Ufma) ou com a Universidade Estadual do Maranhão (Uema). Magalhães não tem vínculo com essas entidades nem trabalho científico em curso.

O Ministério Público do Estado (MPE), por meio da Promotoria das Fundações, já foi acionado para abrir inquérito civil público para investigar indícios de favorecimento de petistas ligados à governadora. De todo modo,  a bolsa de Fernando Magalhães foi cortada pelo governo do Estado.

A decisão de uma ala do PT em investigar colegas do partido ocorreu neste domingo.  A idéia é apresentar o pedido de CPI nesta terça-feira, junto com outros deputados da base de oposição ao governo Roseana Sarney. Caso isso ocorra, a Assembléia Legislativa do Maranhão pode viver uma situação inusitada: petistas teriam que se aliar a tucanos para requerer um processo investigatório contra o próprio PT.

Além do processo de investigação, esse grupo formalizou um documento no domingo pedindo a expulsão de Fernando Magalhães do PT.

Outro lado

O presidente da executiva estadual do PT, Raimundo Monteiro, classificou de “factóide” as denúncias contra Fernando Magalhães e disse que a “ala radical do partido perdeu o rumo”.

Segundo ele, não faz o menor sentido a investigação contra Magalhães porque não houve qualquer tipo de irregularidade na concessão do benefício da Fapema. Monteiro disse que o valor de R$ 32 mil foi um artifício utilizado pelo governo para efetuar o pagamento de Magalhães, que era assessor do ex-secretário-adjunto da Secretaria de Educação do Maranhão, Fernando Silva.

“A Fapema é um órgão ligado à Secretaria de Educação do Estado e isso sempre aconteceu. Com José Reinaldo e Jackson era feito assim (o pagamento de um cargo por meio da fundação). Não é novidade”, amenizou Monteiro. “Não há nada para ser investigar. É factóide o que os companheiros estão criando. Não existe. Não há nada que justifique uma CPI. Eles estão perdendo o rumo da história. O partido está em outra fase agora”, defendeu ele.

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