Agora confirmado, Cardozo defende pacto contra o crime organizado

Novo ministro da Justiça elogia modelo de pacificação de favelas implementado pelo governo do Estado do Rio

Andréia Sadi, iG Brasília |

Integrante do trio de coordenadores da campanha e transição de Dilma Rousseff , o deputado federal José Eduardo Cardozo foi anunciado nesta sexta-feira como o novo ministro da Justiça da equipe da presidenta eleita. Petista de São Paulo, Cardozo abriu mão de disputar a reeleição na Câmara na eleição de 2010 alegando críticas ao sistema de financiamento brasileiro.

AE
Cardozo elogiou UPPs
Convidado a integrar a campanha de Dilma, Cardozo, que também é secretário-geral do PT, conquistou a confiança da então candidata. Ao lado de Antonio Palocci e José Eduardo Dutra, Cardozo ficou conhecido como um dos “três porquinhos”, apelido dado por Dilma Rousseff aos assessores. Hoje, o deputado foi anunciado para a pasta da Justiça e substituirá Luiz Barreto.

Em entrevista ao iG , Cardozo defendeu como uma de suas primeiras medidas na pasta a formação de um “pacto” com governadores de todo o País para combater o crime organizado. Na segurança pública, o futuro ministro elogiou o modelo das Unidade de Polícia Pacificadora (UPPs), projeto do governo do Estado do Rio de Janeiro de ocupação das favelas para controle do tráfico, e também o programa Território da Paz. “Nosso objetivo é dar ênfase na segurança pública. As UPPs são referência e vêm se mostrando eficazes no combate ao crime organizado “, afirmou.

Cardozo falou ainda sobre Polícia Federal, aumento de salário para ministros e sintonia entre os três Poderes. “Quero me encontrar com o presidente do STF e do Congresso para que possamos funcionar de maneira harmônica”, disse. Confira os principais trechos da entrevista.

iG: O senhor era o principal nome cotado para a pasta da Justiça. Com o anúncio oficial, o senhor é, até agora, o primeiro que nunca ocupou cargo no primeiro escalão do governo. O senhor já esperava a indicação? Está feliz com a nomeação?

José Eduardo Cardozo: Atuar como ministro em um governo em que acredito nas propostas e na seriedade é sempre um privilégio. Mas, devo confessar, o ministério da Justiça é uma pasta que tenho afinidades por toda minha trajetória profissional. Acaba sendo uma situação que me deixa muito entusiasmado e me sinto honrado com o convite. Prometo me esforçar para dar continuidade ao trabalho de três grandes mestres, como Marcio Thomaz Bastos, Tarso Genro e Luiz Barreto.

iG: Quais serão as primeiras medidas tomadas ao assumir o ministério?

Cardozo: Seguirei as diretrizes propostas pela presidenta eleita Dilma Rousseff, que já disse ser a segurança pública o seu eixo central. Quero propor com governadores de todos os Estados um pacto contra o crime organizado.

iG: Como seria este pacto?

Cardozo: Há muitas coisas que podem ser feita, mas ainda vamos conversar. O diálogo com os governadores- independentemente de suas filiações partidárias- abre caminho para uma ação unificada contra o crime organizado. Tenho como compromisso procurá-los para dar início a este projeto.

iG: Qual a opinião do senhor sobre as UPPs? O senhor defende que elas sejam implementadas em todo o País?

Cardozo: A experiência bem sucedida do Rio de Janeiro mostrou que as UPPs são eficazes. Além das unidades, o Território da Paz também pode ter papel fundamental nas políticas de segurança do governo.

iG: Mas as unidades serão implementadas além do Rio?

Cardozo: É a nossa proposta. As unidades são referência no País todo como eficientes no combate ao crime.

iG: Na Polícia Federal, quais são as perspectivas para indicações e projetos?

Cardozo: Nos próximos dias, vou avaliar não só os nomes para os postos principais da Polícia Federal como os demais cargos do ministério da Justiça.

iG: O senhor pretende manter no cargo Pedro Abramovay, secretário nacional de Justiça?

Cardozo: Ele é um excelente quadro jurídico e fez um excelente trabalho, mas neste momento ainda não há definição alguma.

iG: Além da segurança pública, quais serão outros focos do Ministério da Justiça?

Cardozo: O Ministério da Justiça terá variada atuação. Espero um elo ativo na produção legislativo. Há leis que precisam ser reformuladas, algumas estão defasadas. Sou a favor de sentar e dialogar para contribuir com a melhora nesta questão. Defendo também diálogo com Ministério Público e AGU. É fundamental darmos prosseguimento na reforma do sistema jurisdicional.

Os três Poderes precisam funcionar de maneira harmônica. Minha intenção é visitar nos primeiros dias de atuação o presidente do Supremo Tribunal Federal e do Congresso. Defendo sinergia entre os Poderes.

iG: O senhor é a favor do aumento de salário para ministros?

Cardozo: Acredito que esta questão deva passar por uma avaliação cuidadosa. É evidente que os ministros precisam ser bem remunerados, mas também é evidente um equilíbrio nas contas. Tenho certeza de que haverá um consenso entre a cúpula dos Três Poderes sobre a proposta.

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