Agnelo encerra segunda semana de ações emergenciais na saúde

Governador do Distrito Federal não cumpriu promessa de acumular cargo de secretário de Saúde, mas não tem poupado medidas no setor

Gabriel Costa, iG Brasília |

Poucas horas após a posse, no dia 1º de janeiro, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, já tomava as primeiras medidas para reverter o quadro caótico da saúde em Brasília e municípios do entorno: declarou situação de emergência no setor, e anunciou que seriam construídas 10 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ao longo de 2011, além de outras quatro prestes a entrar em funcionamento. Não houve menção a uma das promessas que o petista mais repetiu ao longo da corrida eleitoral: que acumularia o governo da capital federal com o cargo de secretário de Saúde nos primeiros meses de sua administração.

Fellipe Bryan Sampaio, iG Brasília
O Hospital Regional de Ceilândia atende a uma média acima de mil pessoas por dia, dos quais mais da metade são de outros municípios
O não cumprimento ao pé da letra do compromisso não significa que o governador não tenha demonstrado empenho na trabalhosa tarefa de recuperar o sistema público de saúde do DF. Agnelo tem acompanhado o secretário nomeado para a pasta, Rafael Barbosa, em visitas constantes a hospitais regionais, durante as quais são efetuados diagnósticos das condições de cada unidade. Na primeira semana de governo, ambos visitaram os hospitais do Gama, Ceilândia e Paranoá.

Já nos últimos sete dias, foram inspecionados o Hospital de Base de Brasília e a Farmácia Central da Secretária de Saúde, onde o governador determinou a publicação, dentro de 15 dias, de um edital para a contratação de uma empresa especializada para armazenamento e distribuição dos medicamentos. De acordo com Barbosa, um novo modelo logístico pode diminuir em até 40% o desperdício de materiais na rede pública.

Agnelo também liberou médicos e enfermeiros interessados em trabalhar nas UPAs para optarem pela jornada dupla de trabalho - de 40 horas semanais -, e garantiu, em reunião com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a continuidade dos repasses da União para o setor no DF. Assim, R$ 10 milhões em verbas repassadas pelo governo federal devem ser investidos em 20 unidades do Programa Saúde da Família.

Promessa foi questionada por Weslian Roriz

No último debate do segundo turno das eleições ao governo do DF, em outubro do ano passado, a candidata da coligação Esperança Renovada, Weslian Roriz, do PSC, questionou Agnelo sobre a afirmação de que ele inicialmente acumularia os dois cargos caso fosse eleito.

null A mulher do ex-governador Joaquim Roriz afirmou ter consultado seu candidato a vice, Jofran Frejat, do PR - que é médico e esteve à frente da Secretaria de Saúde por quatro vezes -, e ele teria classificado a proposta como impossível. Em sua resposta, o então candidato petista destacou a recuperação do sistema público de saúde como "total prioridade", e reafirmou que assumiria a pasta no período emergencial.

Após ser diplomado, no entanto, no dia 15 de dezembro, Agnelo anunciou o nome do médico Rafael de Aguiar Barbosa, que foi seu sucessor na direção da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para a pasta. Na ocasião, o recém-eleito governador justificou que havia antecipado a indicação para não haver riscos de interrupção no atendimento da população.

Procurado pelo iG, Jofran Frejat disse que ainda é cedo para fazer uma análise das ações de Agnelo no âmbito da saúde, mas afirmou torcer para que dêem certo.

Ações nos hospitais

Ao visitar o Hospital do Gama, na primeira semana de governo, Agnelo anunciou que a área seria a primeira a receber uma UPA para desafogar o atendimento. O hospital, que apresenta diversas obras de reforma não concluídas, será alvo de novos projetos e licitações para a retomada das mesmas, e deve ganhar também uma nova unidade regional irmã.

Já no dia seguinte, ao fazer a inspeção do Hospital Regional de Ceilândia, o governador anunciou que mais duas UPAs entrariam em funcionamento na área dentro de até 100 dias. O hospital atualmente atende a uma média acima de mil pessoas por dia, dos quais mais da metade vêm de municípios como Águas Lindas de Goiás. O governador também prometeu reformas de laboratório, ambulatório e pronto-socorro, bem como a reativação dos aparelhos de tomografia e mamografia, que não funcionam desde outubro e abril de 2010, respectivamente.

O HBB, por sua vez, receberá R$ 3,1 milhões do governo para concluir as reformas do edifício sede de internação. Agnelo propôs a construção de um novo edifício no terreno, de até 12 andares, para abrigar novos leitos de UTI e de internação. Também está na pauta a reforma do Centro de Materiais Esterilizados (CME), para que a unidade volte a realizar transplantes de órgãos, prática na qual já foi referência nacional.

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