'Agimos dentro da lei', diz Wagner Rossi à Câmara

Ministro da Agricultura foi ao Congresso para esclarecer acuasações de Oscar Jucá Neto sobre suposto esquema de corrupção na pasta

iG São Paulo |

Acusado pelo ex-diretor da Conab Oscar Jucá Neto de liderar um esquema de corrupção no governo, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, compareceu nesta quarta-feira à Câmara dos Deputados para prestar esclarecimentos sobre as denúncias. Jucá Neto, que é irmão do líder do governo no Senado, Romero Jucá, disse ter conhecimento de operações de favorecimento político e desvios de recursos sob comando do PMDB e do PTB. 

Agência Brasil
O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento Wagner Rossi
Segundo Rossi, irmão do líder do governo no Senado tentou transformar uma irregularidade administrativa cometida por ele em um problema político. Ele atribuiu as acusações do ex-diretor ao ressentimento por ter sido punido com rigor. "Para nós é motivo de orgulho ser atacado porque agimos dentro da lei", disse o ministro.

No depoimento, Rossi fez uma rápida exposição, na qual rejeitou as acusações feitas por Oscar Jucá Neto. O irmão do líder do governo citou à Veja dois negócios da Conab no qual diz ter havido irregularidades. No primeiro caso, ele acusa a estatal de reter o pagamento de R$ 14,9 milhões em dívidas contratuais determinado pela Justiça, com o objetivo de viabilizar um “acerto” para aumentar o montante e desviar parte do dinheiro para autoridades do ministério. No segundo caso, ele diz ter havido favorecimento à empresa de um amigo do senador Gim Argello (PTB) na compra de um terreno em uma área valorizada de Brasília. De acordo com Jucá Neto, Wagner Rossi teria lhe feito uma oferta velada de propina em troca de seu silêncio.

Segundo Rossi, no primeiro caso, nem sequer haveria a possibilidade de aumentar o valor porque o pagamento tem como base uma decisão judicial. Em relação à venda do terreno, ele afirma que houve uma concorrência pública e que o valor pago foi superior à avaliação feita pela Caixa Econômica Federal.

O ministro gastou boa parte da sua exposição para acusar Jucá Neto de ter feito um pagamento ilegal durante sua curta atuação como diretor financeiro da Conab. Reportagem da revista Veja da semana retrasada apontava que o ex-diretor da Conab teria liberado um pagamento a uma empresa-fantasma. Segundo Rossi, a ordem foi dada sem autorização da empresa e do ministério e teria demandado a invasão de um sistema para liberação do dinheiro.

'Critério técnico'

Nos apartes que fizeram à exposição de Rossi, deputados da base empenharam-se em pregar a presunção de inocência do ministro. O líder do governo na Casa, Cândido Vaccarezza, apoiou-se até mesmo no fato de o ministro Nelson Jobim ter declarado voto no tucano José Serra para afirmar que o critério na montagem do governo é técnico. "Temos até ministros que não votaram em Dilma, nosso critério é técnico", afirmou Vaccarezza. O líder do PT na Casa, Paulo Teixeira, disse que a oposição se aproveita para tentar desgastar Dilma. "A oposição tenta transformar o Congresso Nacional num grande cenário de desgaste do governo", disse.

A vinda de Rossi à Câmara é parte de uma estratégia comandada pelo PMDB para se antecipar à pressão da oposição. A decisão também atende a uma ordem expressa da presidenta Dilma Rousseff para que ministros envolvidos em denúncias tomem a iniciativa de dar esclarecimentos ao Congresso.

Pedido

No depoimento à Câmara, Rossi disse ainda que o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), pediu que seu irmão permanecesse na Conab após as notícias sobre a liberação do pagamento irregular, cujo valor foi de R$ 8 milhões. De acordo com o ministro, o líder do governo lhe pediu para tentar manter o irmão na companhia, pelo menos como assessor, cargo que havia ocupado antes.

Rossi disse que chegou a concordar com o senador e que levantou esta possibilidade na primeira conversa com Jucá Neto. Segundo o ministro, porém, a evolução do caso tornou insustentável a permanência dele no posto. "No início, quando pensávamos que poderia ter acontecido essa falha dele por um equívoco, o senador Jucá, com a maior deferência em relação a mim, pediu que, se tivesse condições, e se ele ( Oscar ) não fosse adequado à diretoria, pudesse retorná-lo a um emprego de assessoria. Eu disse, só na primeira reunião, que ia tentar a possibilidade dele voltar a ser assessor. Mas quando os dados completos chegaram a nós, não teve como", disse Rossi.

O ministro negou que tenha oferecido vantagens a Jucá Neto para que ele não fizesse denúncias. "Todas as outras afirmações dele foram aleivosas, foram mentirosas", afirmou. Rossi disse ter elementos para processar o irmã de Jucá, mas disse ainda não ter se decidido sobre isso. "Tenho todos os elementos para poder processá-lo, mas a inconstância dele me dá menos raiva e mais um sentimento de que a punição está bem, mas vou avaliar", afirmou.

*Com informações da Agência Estado

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