Afinidade com Dilma torna-se primeira marca da gestão Anastasia

Prestes a concluir 100 dias no cargo, tucano mostra-se cada vez mais afinado com a presidenta petista, que já o visitou três vezes

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), e a presidenta Dilma Rousseff não têm em comum somente o fato de serem mineiros, ambos nascidos em Belo Horizonte. Com perfis técnicos, após ter sido diluída parte da recente disputa eleitoral travada entre os campos políticos opostos aos quais pertencem, os dois sinalizaram nestes três primeiros meses de governo tendência a buscar relação cooperativa e cordial, embasada no tradicional discurso de manter uma postura republicana.

A aproximação política cada vez mais evidente entre Dilma e Anastasia e o bom tratamento dado pela presidenta também ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) já deixa inconformados alguns aliados petista. O governador de Minas já avisou que caberá a deputados e senadores o embate com o governo federal.

Roberto Stuckert Filho/PR
Governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, ao lado da presidenta Dilma Rousseff
Prestes a completar 100 dias no governo, Anastasia sente o peso de uma oposição bem mais organizada e robusta que a enfrentada por Aécio, seu antecessor e padrinho político. A oposição formou o bloco “Minas Sem Censura”, que aglutina deputados do PT, PC do B e PMDB. O líder do bloco, deputado estadual Rogério Correia (PT), costuma referir-se ao antecessor de Anastasia como “Aecinho Malvadeza”.

A base de Anastasia revidou e criou o bloco “Minas Transparente” (PSDB-DEM-PHS-PPS-PR-PRP-PRTB-PTB-PTC-PT do B). Enquanto Aécio tinha 16 deputados fazendo oposição a ele, Anastasia enfrenta 23. A Assembleia possui 77 deputados.

O primeiro discurso da oposição teve como alvo o combate às leis delegadas. Graças a elas, Anastasia criou mais de 1.300 cargos de livre nomeação. A oposição em Minas critica o inchaço para acomodar apadrinhados. Aécio Neves ataca o mesmo problema em nível federal.

Nos primeiros meses de governo, Anastasia teve de enfrentar adversidades do poder. O governador visitou diversos municípios alagados pelas chuvas e acelerou a liberação de recursos. Ele também visitou a cidade de Bandeira do Sul, a 430 quilômetros da capital, onde um acidente com serpentina metálica na rede de alta tensão matou 16 pessoas eletrocutadas, quando festejavam o Carnaval.

Em curto espaço de tempo, o tucano apresentou números como um Produto Interno Bruto (PIB) histórico para o ano de 2010, anunciado no mês passado. O PIB de Minas cresceu 10,9% em relação a 2009, superando em 3,4 pontos percentuais o resultado nacional, que foi de 7,5%.

Agenda cheia

Enquanto empenha-se em driblar seus opositores, Anastasia recebeu três visitas de Dilma desde o início do ano, o que lhe rende uma média de uma visita por mês. Ao lado da presidenta, anunciou a implantação de um gasoduto em Uberaba, a 475 quilômetros de Belo Horizonte, que o ajudará a embasar o discurso positivo sobre a geração de empregos. O tucano também já começou a cumprir algumas promessas de campanha, como o lançamento, no último dia 5, do projeto “Professores da Família”, cuja meta é agendar visitas às casas de alunos para diminuir a evasão escolar.

Mesmo com lances positivos, Anastasia enfrenta pressões crescentes na área de segurança pública. Depois que dois inocentes foram assassinados por policiais militares em uma favela na capital mineira Belo Horizonte, o secretário de Defesa Social, Lafayette Andrada, determinou o afastamento de envolvidos e os chamou de “bandidos fardados”. A declaração provocou reação da classe policial. Delegados civis também reclamam de falta de infraestrutura para trabalhar e já realizaram paralisação.

O aniversário de 100 dias do governo, neste fim de semana, coincide com o primeiro aniversário da inauguração da Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves. Com 16 mil servidores, lá se concentra o maior desafio a ser enfrentado pelo tucano: dialogar com o funcionalismo e evitar greves que possam provocar um colapso em serviços essenciais. A primeira manifestação na Cidade Administrativa fez aniversário de um ano no mês passado, quando Aécio ainda governava Minas. No dia 13 de abril, o funcionalismo público promete se mobilizar.

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