Aécio diz que morte de Itamar foi perda pessoal 'irreparável'

“Perdi há pouco tempo meu pai e perdi agora, de alguma forma, uma figura que tomava este espaço", disse o senador Aécio Neves

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O senador Aécio Neves (PSDB) concedeu coletiva à imprensa no começo da tarde deste sábado para comentar a respeito da morte do ex-presidente e senador pelo PPS Itamar Franco . O senador disse que mantinha uma relação “paternal” com Itamar e que a preocupação do ex-presidente era com a implementação de uma reforma política no País.

“Perdi há pouco tempo meu pai e perdi agora, de alguma forma, uma figura que tomava este espaço. Tive orgulho enorme de ter caminhado ao seu lado, não só na campanha eleitoral. É uma lacuna imensa. Eu ainda confiava nos últimos dias, mesmo na UTI, na sua recuperação”, lamentou Aécio.

Arquivo pessoal
Itamar Franco e o jovem Aécio Neves, em foto sem data

Questionado sobre os últimos contatos com Itamar, Aécio disse que o ex-presidente demonstrava um "vigor enorme". “Ele falava que estava se preparando para estar de volta. Para mim, se confunde a reverência ao homem público e a saudade à uma pessoa que ocupou na minha vida um espaço muito especial, que eu poderia falar, familiar”.

Também conforme o senador mineiro, o último tema pelo qual Itamar se debruçava era a reforma política. “Nós sentávamos e conversávamos sobre a reforma política. Ele tinha teses, um pouco da sua personalidade, que ele defendia até solitariamente, uma deles, da candidatura avulsa (direito a se candidatar sem partido). Ele achava que deveria ter oportunidades de candidaturas avulsas para prefeitos, governadores. Eu me lembro muito bem que esta foi a última proposta que ele defendeu com muito entusiasmo. Ele acabava nos dobrando, levando para apoiar algumas destas propostas, por causa de sua convicção enraizada, por causa de seus argumentos”, lembra.

Aécio afirmou ainda que a última vez em que esteve com o ex-presidente Itamar, eles conversaram sobre a reforma política. “Ele estava animadíssimo. Perguntou sobre projetos envolvendo a reforma política. Ele me disse: Não deixem atropelar o regimento não. Estou me preparando, vou sair melhor do que estava para as próximas lutas nossas. Eu conversava com os médicos todos os dias. Infelizmente o quadro veio se agravando com essa pneumonia. Eu vou buscar estar preparado para dar continuidade à sua luta, para evitar atropelos (no regimento do Senado)”.

O senador mineiro também confirmou que recebeu o telefonema da presidenta Dilma Rousseff (PT), colocando o Palácio do Planalto à disposição da família de Itamar para receber as últimas homenagens. “Eu quero aqui registrar e agradecer este gesto republicano, mas a opção da família, talvez mais afeita à personalidade de Itamar, foi de fazer um caminho mais curto, mais singelo para o seu descanso”, afirmou Aécio, sobre o velório do ex-presidente, que ocorrerá neste domingo (03), em Juiz de Fora, a 260 quilômetros de Belo Horizonte e, na segunda-feira (04), na capital mineira.

O corpo de Itamar será cremado no Parque Renascer, mesmo local da cremação do ex-vice-presidente José Alencar , em Contagem, na Grande Belo Horizonte. Recuperando-se de uma queda de cavalo, Aécio tem intenção de acompanhar o velório de Itamar em Juiz de Fora.

Itamar cobrava rigidez da oposição, afirmou também Aécio. “Caberá à oposição, nos unirmos para dar continuidade àquilo que ele fazia, uma oposição leal ao Brasil, mas firme”. Questionado sobre como será trabalhar com o suplente de Itamar, Zezé Perrella (PDT), o senador mineiro disse que ainda não pensou sobre o assunto, mas que Perrella deve se inspirar na trajetória honrada de Itamar.

Comunicado

Mais cedo, o senador já havia enviado um comunicado em que disse que a morte de Itamar foi, "pessoalmente", uma "perda irreparável". "Mantive com Itamar, ao longo dos últimos dez anos, uma convivência próxima e amiga", afirmou, em nota. "Ele costumava dizer que tinha por mim um afeto paternal."

Aécio disse que a morte do ex-presidente deixa um "imenso vácuo de saudade e admiração". No comunicado, ele elogiou a fidelidade de Itamar aos seus "princípios e convicções" e sua defesa "implacável" do interesse público, honrando "as melhores tradições de Minas".

O senador afirmou que, sem saber, os mineiros tiveram a "sabedoria" de prestar uma última homenagem a Itamar ao elegê-lo para o Senado Federal. "Minas manifestou a ele todo o seu reconhecimento e respeito e permitiu que ele vivesse um momento de especial importância na sua vida", disse. "Nesses poucos meses, graças ao mineiros, o Brasil se lembrou do valor de Itamar.'

Aécio encerra o comunicado dizendo que "poucos homens honraram a vida pública com tanta bravura" quanto o ex-presidente. "Me despedi de meu pai no final do ano passado. Me despeço de Itamar agora. E não posso deixar de lamentar, com grande tristeza, profunda e intimamente, como filho e cidadão, as perdas que Minas vem sofrendo", afirmou.

Itamar morreu neste sábado aos 81 anos após um acidente vascular na UTI do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. O senador, que havia contraído uma pneumonia grave durante o tratamento contra leucemia ao qual era submetido desde o dia 21 de maio, era divorciado e deixa duas filhas.

De acordo com o hospital, Itamar morreu às 10h15. O corpo será transferido para Juiz de Fora, onde será velado, e depois para Belo Horizonte, onde será cremado - por desejo do ex-presidente. Também ocorrerá uma cerimônia de homenagem no Palácio da Liberdade.

Políticos brasileiros lamentaram a morte de Itamar. O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deve organizar uma comitiva de parlamentares para acompanhar as cerimônias fúnebres em homenagem ao ex-presidente. A informação foi dada ao iG pelo líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR). Segundo ele, que confirmou presença na comitiva, os parlamentares devem seguir para Minas Gerais no domingo.

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