Aécio diz que Dilma iludiu brasileiros durante campanha eleitoral

Senador tucano critica corte de gastos do governo federal e afirma que Brasil real é diferente do País "cor-de-rosa" das eleições

Denise Motta, iG Minas Gerais |

O senador Aécio Neves (PSDB-MG) criticou na tarde desta sexta-feira o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento Geral da União de 2011, anunciado pelo governo federal nesta semana. O tucano ironizou a gestão da petista Dilma Rousseff (PT) ao lembrar que, durante a campanha eleitoral, “construíram um Brasil que não existe, pois foi apresentado um país sem necessidade de um ajuste fiscal, em pleno processo de expansão".

Wellington Pedro/Divulgação
Aécio Neves encontra seu sucessor, Antonio Anastasia
“O que encontramos hoje é um Brasil com um problema grave nas suas contas externas, um problema que gera a necessidade de um ajuste fiscal mais duro. Esse anúncio dos cortes é reflexo disso. Não precisa que nós, da oposição, digamos que na campanha houve uma certa ilusão da população brasileira. O PT demonstra com essas medidas que o Brasil, apresentado verde e amarelo e de certa forma cor-de-rosa para todos brasileiros, é um Brasil diferente desse Brasil real”, afirmou Aécio.

O tucano disse considerar o corte uma medida “extremamente preocupante” e afirmou que, se ele se concretizar, haverá impacto direto em investimentos. “Estou no aguardo, digo até com alguma ansiedade, para anúncios de investimentos, de definições de projetos, de prazos para licitações dessas que são obras estruturantes e que, infelizmente, nos últimos oito anos não andaram nem um passo sequer”, atacou o ex-governador de Minas Gerais, que reuniu-se com seu sucessor, o governador Antonio Anastasia (PSDB), no Palácio Tiradentes, em Belo Horizonte.

Mais afiado e contundente no ataque ao governo federal do que nos últimos meses, Aécio lamentou também que a presidenta Dilma  ainda não tenha tenha, até agora, sinalizado claramente a respeito da necessidade de uma reforma estrutural na federação. Segundo ele, a reforma é necessária para “fortalecer os municípios e impedir que se continue fazendo bondade com o chapéu alheio, permitindo que isenções fiscais dadas pelo Governo Federal atinjam a já comprometida receita dos municípios”. Críticas ao recente apagão no Nordeste também não faltaram . O tucano disse que os próprios técnicos reconheceram um problema de gestão na área de energia e que a oposição ficará vigilante sobre o assunto.

Aécio minimizou declaração recente do senador Aloysio Nunes (PSDB-SP), de que o mineiro não é candidato natural dos tucanos à Presidência da República em 2014. O ex-governador mineiro afirmou concordar com a tese do senador paulista. “É muito bom que não haja um candidato natural. Gostei muito da entrevista”, ponderou.

A necessidade de uma reforma política foi outro tema abordado por Aécio em entrevista nesta sexta-feira. Ele irá integrar comissão para discutir o assunto no Senado e disse que pretende enviar propostas ainda neste primeiro semestre, sem consenso. Sua proposta, disse, é eleger temas cruciais e colocar em plenário, mesmo sem consenso. Citou como exemplos o financiamento público de campanha, defendido pessoalmente por ele, o voto distrital e a cláusula de desempenho, que permite funcionamento de partidos com respaldo dentro da sociedade. “Hoje temos apenas no parlamento mais de vinte partidos funcionando, muitos líderes de si próprios e nós sabemos que isso dificulta negociações”, justificou.

Ele não quis comentar sobre as movimentações do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), que namora o PMDB, porque o assunto não diz respeito ao seu partido. Sobre o posicionamento de José Serra (PSDB), limitou-se a dizer que o ex-governador de São Paulo sempre será bem recebido no Congresso Nacional. “É natural que ele vá ao Congresso e sempre será bem recebido lá.”

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