Aécio: 'Dilma gera uma grande incógnita'

Senador eleito defende que oposição dê 'um tempo' para a presidenta eleita Dilma Rousseff

Nara Alves, iG São Paulo |

Em entrevista ao programa Roda Viva , da TV Cultura, o senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) afirmou que a oposição deve "aguardar" e "observar" o futuro governo da presidenta eleita Dilma Rousseff. O programa, gravado nesta tarde na capital paulista, vai ao ar às 22h desta segunda-feira.

“Dilma gera uma grande incógnita. Até porque não a conhecemos na construção política. Devemos dar um tempo para ela. Temos que observar”, afirmou. O ex-governador mineiro ressaltou que, até o momento, o ministério de Dilma é formado por nomes ligados ao PT paulista e defendeu uma oposição “aguerrida”.

Para ele, o fato de a eleição presidencial ter ido para o segundo turno é um “recado das urnas” por uma oposição mais forte. “A questão ética foi o recado mais profundo que recebemos, o governo e a oposição”, disse.

Aliança com DEM

Aécio reconheceu que a aproximação com setores mais conservadores de direita da sociedade, especialmente a partir da aliança com o DEM, é uma preocupação. "É uma luz amarela que se acende (...) Mais uma razão para atualizarmos o programa partidário", afirmou. Ele defendeu que o PSDB "descole de alguns segmentos" que defendem bandeiras que "não são nossas bandeiras".

Ele classificou de “retrocesso" o fato de questões como a descriminalização do aborto tenham tido tanta importância na campanha presidencial. Criticou, ainda, a negação do “legado” do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como as privatizações. “Foi um erro nosso as principais lideranças do partido não assumirem o nosso legado”, disse, em uma referência indireto ao candidato tucano à presidência derrotado, José Serra.

"Refundação" do PSDB

O ex-governador mineiro garantiu que não é candidato à presidência do PSDB, mas defendeu sua “refundação” a partir de um “núcleo de inteligência” que reconduza a legenda para a centro-esquerda. Rindo, Aécio disse que o PSDB está, na verdade, à esquerda do governo Lula. Ele defendeu "nacionalização" do PSDB e a "busca por novos parceiros", por meio da aproximação do partido com os sindicatos, com um “discurso claro para os movimentos sindicais”. "A maioria do nosso pessoal nem sabe o que está no programa”, criticou.

Para o ex-governador, o atual presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra, é uma "boa alternativa" que tem de ser vista pelo partido como "viável", mas não descartou a possibilidade de José Serra assumir o partido. "Assim como não sou candidato, não tenho candidato", afirmou após a gravação do programa.

Dentro da proposta de "refundação" do PSDB, o líder tucano destaca a inclusão do tema sustentabilidade no programa partidário para que a legenda continue sendo a principal alternativa ao governo, em contrapartida com o PV. A presidenciável verde derrotada, Marina Silva, ficou em terceiro lugar na disputa, com cerca de 20 milhões de votos.

"Afinidade" com PSB

Amanhã, o senador eleito disse que terá um jantar com o governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e deve se encontrar também com o governador eleito do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB). Durante o programa na TV Cultura, Aécio fez questão de ressaltar a "afinidade" com o PSB, que apoiou Dilma na corrida presidencial e Antonio Anastasia (PSDB) nas eleições estaduais em Minas.

Sobre a possibilidade de uma aproximação das duas siglas nas próximas eleições presidenciais, Aécio avalia que seria muito difícil uma aliança. "Você não constroi com quatro anos de antecedência um projeto presidencial", disse. Já sobre a possibilidade de candidatar-se à presidência da República em 2014, o tucano desconversou: "Presidência é destino, não vocação".

Derrota de Serra

Em uma avaliação sobre a derrota de Serra à Presidência, Aécio lembrou o filósofo Nicolau Maquiavel. "Serra não teve o que Maquiavel chamava de fortuna", disse. Ou seja, não teve sorte. Isso porque quando foi candidato em 2002 os eleitores queriam mudança quando Serra representava a continuidade. Agora, ele era candidato da mudança, mas o sentido era de continuidade. A mesma teoria foi sustentada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em entrevista ao iG em setembro.

"Se você fosse a Minas um mês antes da eleição, ia achar que o candidato ao governo era o Lula", respondeu na tentativa de justificar a derrota de Serra em Minas, enquanto Aécio conseguiu se eleger, fez seu sucessor, Antonio Anastasia, e ajudou a eleger Itamar Franco ao Senado. "Houve uma transferência de votos horizontal" tanto em Minas como na corrida ao Palácio do Planalto, segundo ele. Isso teria contribuido para que Dilma tivesse mais votos no Estado.

Articulação política

Depois das férias que tirou após as eleições, Aécio fará uma maratona em Brasília. Amanhã, além de se encontrar com Campos e Casagrande, ele se reunirá com os senadores tucanos, incluindo Guerra, e participará da reunião da bancada do PSDB na Câmara.

Nesta segunda, ele também participou de um almoço com o governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, e de um encontro com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Já o ex-governador José Serra ficou de fora da agenda do senador eleito na capital paulista.

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