Texto, assinado pelo chefe da Casa Civil, foi veiculado nesta sexta-feira no Diário Oficial da União

A advogada alagoana Christiane Araújo de Oliveira, que havia sido indicada para compor a equipe de transição da futura presidente da República Dilma Rousseff (PT) foi exonerada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (12). Na equipe, ela assumiria o cargo de secretária. Ré em duas ações penais propostas pelo Ministério Público Federal de Alagoas por suposto envolvido na máfia das sanguessugas, a advogada pediu exoneração na tarde de ontem após ter tido seu nome lembrado no escândalo das ambulâncias. A defesa dela considera uma “irresponsabilidade” as pessoas associarem o nome de Christiane à máfia, já que ela sequer foi citada para depor no processo.

A exoneração foi assinada pelo ministro Carlos Esteves Lima, chefe da Casa Civil. No texto que consta no D.O., o ministro explica que o afastamento da advogada se deu "a pedido”. Na mesma edição, consta a publicação de mais um nome para a equipe de transição da presidente eleita Dilma Rousseff. A escolhida foi Pamela Nunes, assessora de imprensa da campanha do PT. Até agora, 26 pessoas já foram nomeadas para integrar a equipe, do total de 50 que podem ser escolhidas pela ex-ministra.

Christiane Araújo não fez carreira na área jurídica em seu estado de origem. Formou-se em Direito e, logo depois, foi trabalhar como assessora parlamentar do ex-deputado alagoano federal João Caldas (DEM), função em que permaneceu por quatro anos. Na lista da equipe de transição, publicada no Diário Oficial da União na última quarta-feira (10), a advogada havia sido nomeada para trabalhar como secretária e, para tanto, receberia um salário de R$ 2,6 mil. O nome dela passou pelo crivo da Agência Brasileira de Inteligência, que não o vetou.

As ações penais
Em março de 2008, a Justiça Federal de Alagoas resolveu aceitar as duas ações de improbidade administrativa propostas em 2006 pelo Ministério Público Federal de Alagoas contra integrantes da máfia das sanguessugas no Estado.

Christiane foi uma das rés. Na época da investigação,em maio de 2006, a Polícia Federal desbaratou um esquema de corrupção que envolvia empresas e congressistas. Segundo a PF, os parlamentares propunham emendas ao Orçamento Geral da União para aquisição de ambulâncias e equipamentos hospitalares e esses veículos e material seriam adquiridos a empresa Planan, pertencente aos sócios Darci e Luiz Antônio Vedoin. Em troca do beneficiamento da empresa, os empresários pagariam propinas aos deputados federais. Eles também praticariam o mesmo esquema nos municípios beneficiados com as verbas. Segundo a denúncia do MPF, a suposta quadrilha teria movimentado R$ 110 milhões.

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