A um mês da posse, primeiro escalão de Tarso está quase completo

Secretarias estão divididas entre seis partidos, que somam maioria na Assembleia Legislativa

Alexandre Haubrich, iG Porto Alegre |

No dia 3 de outubro de 2010, Tarso Genro, do PT, se tornava o primeiro governador gaúcho eleito em primeiro turno. A vitória aconteceu contra adversários como o ex-prefeito de Porto Alegre José Fogaça (PMDB) e a atual governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB). Quase três meses depois, o primeiro escalão do futuro governo Tarso está praticamente todo definido, unindo uma grande gama de partidos, e a transição caminha com tranquilidade.

Nos quatro anos de governo Yeda, a relação da governadora com a oposição manteve-se tensa quase em tempo integral. Ainda que não tenha estado na linha de frente desse embate, Tarso também esteve presente. Com o início da campanha eleitoral, as diferenças entre os dois se acirraram, com críticas de parte a parte. Porém, o amplo favoritismo do petista, que foi se consolidando durante a campanha, fez com que ele mantivesse o tom tranquilo e propositivo, evitando ataques diretos à governadora.

Caco Argemi/Divulgação
Primeiro governador gaúcho eleito em primeiro turno, Tarso Genro monta governo com ampla gama de partidos
Dessa forma deu-se a votação, mas Yeda, em seu discurso após o resultado final, criticou o que chamou de “despolitização da disputa” e mostrou-se incomodada, o que deixou no ar a preocupação com a relação entre governo atual e governo futuro. Porém, na quarta-feira seguinte, a governadora já prometia, em entrevista a uma rádio local, uma transição pacífica.

A transição propriamente começou apenas após o segundo turno eleitoral. Tarso e Yeda estiveram envolvidos – principalmente o primeiro – com a disputa presidencial entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). O primeiro encontro entre o governador eleito e a atual ocupante do cargo aconteceu apenas no dia 8 de novembro, quase um mês depois da reunião inicial entre as equipes de transição, ocorrido em 18 de outubro.

Yeda e Tarso tiveram um encontro cordial, tranquilo, no qual a governadora se comprometeu com encaminhar alguns projetos pretendidos pelo petista. Houve, porém, uma questão que segue sem solução: as Parceria Público Privadas (PPPs). A RS-010, o complexo prisional de Canoas e a revitalização do Cais Mauá são projetos em andamento que possuem a participação do governo e de empresas privadas, o que é mal visto pelo PT.

Segunda fase da transição
As reuniões entre as equipes de transição, encabeçadas pelo atual secretário de Transparência, Francisco de Assis Luçardo, e pelo futuro chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, têm acontecido frequentemente, e já passaram para sua segunda fase. Os levantamentos sobre estrutura, projetos e programas já foram finalizados. Agora, as reuniões serão entre os atuais e os futuros secretários, para que aqueles se interem sobre a situação das pastas que assumirão a partir de 1º de janeiro.

O secretariado do governo Tarso englobará políticos de seis partidos – PT, PSB, PC do B, PR, PTB e PDT –, chegando a 32 cadeiras na Assembléia Legislativa. O governo terá, portanto, maioria, e a possibilidade de aprovar com facilidade seus projetos. Além disso, fica faltando apenas um deputado para atingir 3/5 da casa, número necessário para que sejam aprovadas possíveis emendas à Constituição do Rio Grande do Sul. O PP não participará diretamente, mas promete uma oposição tranquila, apoiando algumas medidas propostas pelo governo.

A negociação com o PDT foi a mais complicada, mas Tarso acabou vencendo a queda de braço. Os trabalhistas queriam as pastas da Saúde e da Agricultura, enquanto o PT oferecia apenas uma dessas duas secretarias e mais uma menor, além do já acordado comando de uma estatal. Na última semana, chegou-se a um acordo, e os nomes pedetistas já foram indicados. Ciro Simoni será o secretário de Saúde, e Kalil Sehbe ocupará a Secretaria do Esporte e Lazer. Além deles, Afonso Motta comandará o Gabinete dos Prefeitos. Flavio Lammel foi indicado para a presidência da Caixa RS, mas ainda não foi confirmado por Tarso.

Entre as outras secretarias confirmadas até agora, o PTB recebeu três pastas, o PC do B duas e o PSB uma. A grande maioria dos cargos serão ocupados pelas diversas correntes do PT. A ampla coalisão que vai sendo montada por Tarso não deverá ser de fácil administração, mas, se der certo, promete garantir ao governador quatro anos de tranquilidade. O PT traz ao Rio Grande do Sul o modelo de governo aplicado nacionalmente por Lula, buscando trazer para a base da situação a maior quantidade possível de partidos.

Vaga
São poucos os cargos de primeiro escalão que ainda estão desocupados para 2011. Dentre eles, a Secretaria da Segurança Pública é um dos mais importantes. Para essa secretaria o mais cotado é Ildo Gasparetto, superintendente da Polícia Federal no RS. Gasparetto já foi convidado, mas é possível que ocupe alguma posição no governo Dilma. Caso essa possibilidade se confirme, o diretor do Departamento Penitenciário Nacional, Airton Michels, é nome forte para a Segurança no RS.

As transferências de cargo costumam ser à tarde, mas dessa vez a posse de Tarso deverá acontecer na manhã do dia 1º de janeiro. A mudança foi um pedido do governador eleito para que possa, após a cerimônia, seguir de avião até Brasília para acompanhar a posse de Dilma Rousseff como presidente da República. Yeda sinalizou que o pedido será acatado sem maiores problemas. A governadora tem afirmado que, após entregar o cargo, não ocupará a linha de frente do PSDB gaúcho. Yeda tem a intenção de viajar, o que não pode fazer durante seu governo, já que rompeu com seu vice, Paulo Feijó (DEM), que acabou se tornando uma das principais referências da oposição.


Veja quem já foi confirmado nos cargos do primeiro escalão do governo Tarso Genro

Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio - Luiz Fernando Mainardi (PT)
Secretaria do Turismo - Abgail Pereira (PC do B)
Secretaria da Justiça e do Desenvolvimento dos Direitos Humanos - Fabiano Pereira (PT)
Secretaria do Desenvolvimento Social e do Trabalho - Luis Augusto Lara (PTB)
Secretaria das Mulheres - Márcia Santana (PT)
Secretaria de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo - Ivar Pavan (PT)
Secretaria da Economia Solidária e Pequena e Micro Empresa - Maurício Dziedricki (PTB)
Secretaria da Educação - José Clóvis de Azevedo (PT)
Secretaria da Fazendo - Arno Augustin (PT)
Secretaria da Cultura - Luiz Antonio de Assis Brasil
Secretaria do Planejamento e Gestão - João Motta (PT)
Secretaria da Ciência e Tecnologia - Jorge Guimarães
Secretaria da Administração e Recursos Humanos - Stela Farias (PT)
Secretaria do Meio Ambiente - Jussara Cony (PC do B)
Secretaria de Habitação, Saneamento e Desenvolvimento Urbano - Marcel Frison (PT)
Secretaria de Obras e Irrigação - Luis Carlos Busato (PTB)
Secretaria de Infraestrutura e Logística - Beto Albuquerque (PSB)
Secretaria Geral de Governo - Estilac Xavier (PT)
Chefe de Gabinete - Vinicius Wu (PT)
Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social - Marcelo Danéris (PT)
Agência Gaúcha de Desenvolvimento e Promoção do Investimento (Mauro Knijnik)
Programa Estadual de Segurança com Cidadania - Alberto Kopittke (PT)
Assessoria Superior do Governador - Flávio Koutzii (PT)

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