A sete meses da eleição, moradores de Belo Horizonte recebem torpedo político

Citado em SMS, presidente da Câmara Municipal nega contratação do serviço; Tribunal Regional Eleitoral já recebeu denúncias de propaganda extemporânea

Denise Motta, iG Minas Gerais |

Reprodução Facebook
Torpedo enviada a moradores de Belo Horizonte
Alvo de uma campanha da população de Belo Horizonte contra o aumento de salário para vereadores, o presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Léo Burguês (PSDB), é citado em mensagens de texto enviadas para celulares de internautas. As pessoas que receberam postaram em redes de relacionamento a mensagem: “Leo Burguês quer acabar com 14º e 15º salários dos vereadores, prefeito e secretários de BH”.

A mensagem refere-se a um projeto de lei de autoria da mesa diretora da Câmara Municipal, que visa justamente acabar com o 14º e o 15º salários para os poderes Executivo e Legislativo. Desgastado por denúncias de contratação de serviços do buffet de sua madrasta , Burguês procura melhorar sua imagem junto ao eleitorado desde o final do ano passado. Ele deve tentar a reeleição neste ano.

Crise: 'Povo não tem que reclamar que aumentou salário de político'

Procurado pelo iG , por meio de sua assessoria de imprensa, Léo Burguês negou que tivesse enviado o torpedo ou contratado este tipo de serviço. Em sua última prestação de contas, ele não declarou despesa com divulgação de seu mandato parlamentar.

A legislação brasileira permite o uso de torpedos para divulgação de atividades políticas e também para propaganda eleitoral, no período de campanha. Fora do período estipulado, pedidos de votos e propaganda podem ser considerados pela promotoria eleitoral como campanha extemporânea.

“Será que ele pagou isso com a verba indenizatória?”, questionava um internauta. “Isso não seria campanha antecipada”, postou outro no Facebook. O Tribunal Regional Eleitoral mineiro informou que já recebe denúncias de propaganda extemporânea e que cada caso é analisado separadamente.

Um perfil no Facebook, responsável pela divulgação do torpedo, afirmou que Burguês estaria tentando colher para si “louros de uma conquista que sequer aconteceu”, uma vez que o projeto de lei ainda está em tramitação. “O mesmo aconteceu quando da manutenção do veto ao salário dos vereadores, ele permaneceu a sessão toda escondido, e, ao final, posou para fotos para comemorar a derrubada de um projeto que era de autoria... dele mesmo”, postou o Ocupe a Câmara, movimento de acompanhamento do trabalho dos vereadores da capital mineira.

O publicitário Paulo Álvares, especialista em marketing eleitoral, destaca ser preciso observar dois pontos ao optar pela campanha em mídias digitais. O primeiro refere-se à legislação eleitoral e até mesmo à necessidade de uma estrutura jurídica para avaliar se a propaganda está dentro da lei. Ele lembra que há casos em que candidatos são penalizados por condutas de cabos eleitorais em que, em alguns casos, sequer tinha conhecimento. “O candidato é o maior responsável por tudo que envolve sua campanha”.

O outro ponto refere-se ao bom senso. Ele diz que o mecanismo utilizado, no caso o SMS, não estará desgastado ou prejudicará a imagem do candidato se for utilizado de maneiro cordial. “É preciso que no caso de e-mail, por exemplo, haja possibilidade de o internauta se descadastrar. Hoje as redes sociais são uma via de mão dupla. O candidato precisa atender os anseios do feedback e aceitar que muitas vezes vai ouvir críticas.”

No Twitter: Congressistas driblam a falta de tempo para garantir visibilidade

Em 2008, a Justiça eleitoral brasileira proibiu o uso de torpedos na campanha eleitoral. Dois anos depois, o mecanismo foi liberado. Na campanha de 2010, os envios de SMS e de e-mails foram permitidos desde que houvesse mecanismos para que o eleitor se descadastrasse do sistema. Conforme pesquisa do iG , um pacote de R$ 50 mil torpedos de propaganda política custa em torno de R$ 6 mil.

Com o sucesso das redes sociais no Brasil, há empresas especializadas em vender perfis com suposta garantia de visibilidade. Há serviços que oferecem, por exemplo, 100 mil seguidores no Twitter, por R$ 5.500, incluindo uma manutenção do mecanismo por seis meses.

    Leia tudo sobre: eleições bhsmsléo burguêscampanhapropaganda

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG