À espera de cargos, base aliada promete aprovar mínimo de R$ 545

Em primeiro embate de governo Dilma, deputados votam salário mínimo; PDT libera bancada para votar R$ 560

Adriano Ceolin e Andréia Sadi, iG Brasília |

Diante da promessa de que irá ganhar os cargos que restam no segundo escalão do governo da presidenta Dilma Rousseff , a base aliada se comprometeu a aprovar nesta quarta-feira (16), na Câmara dos Deputados, o projeto de lei que reajusta o salário mínimo para R$ 545 contra as propostas de R$ 560 e R$ 600.

Pelos cálculos de integrantes da base e até mesmo da oposição, o governo deve vencer com uma diferença de entre 150 e 200 votos. Com aval do Palácio do Planalto, a liderança do governo aceitou realizar votação nominal (em que o deputado registra o voto) para testar a fidelidade dos seus aliados.

Até agora, o único foco de resistência na base governista é o PDT. Os pedetistas têm o apoio dos oposicionistas do DEM.

No restante da base governista, as dissidências serão mínimas. Segunda maior bancada na Câmara, o PMDB garantiu 65 dos seus 78 votos. O partido é o principal interessado na nomeação de cargos de segundo escalão.

“Após a votação do salário mínimo, vamos ter uma reunião com os ministros Antonio Palocci (Casa Civil) e Alexandre Padilha (Saúde) para definir um nome de consenso para a presidência da Funasa (Fundação Nacional de Saúde)”, disse o deputado Danilo Forte (PMDB-CE).

Presidente da Funasa até abril do ano passado, Forte foi substituído por seu aliado Faustino Lins. Em princípio, Forte tentou mantê-lo no posto. Diante da negativa do governo, busca entrar em acordo com Padilha para indicar um nome de consenso entre PT e PMDB.

Nesta terça-feira (15), o vice-presidente da República e presidente licenciado do PMDB, Michel Temer , foi pessoalmente à Câmara pedir que a bancada do partido votasse de acordo com a orientação do governo.

Mesmo após ter perdido o comando da empresa estatal de energia elétrica Furnas, o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) desistiu de apresentar uma emenda para o salário mínimo no valor de R$ 560 .

Cunha contou que atendeu a um pedido do líder da bancada do PMDB, Henrique Eduardo Alves (RN). “Iam dizer que é retaliação”, disse. “Os R$ 560 vão surpreender, mas não o suficiente para derrubar a proposta do governo”, apostou o deputado.

O líder Henrique Alves tem uma previsão mais otimista. Ele acredita que 70 dos 78 votos do PMDB serão favoráveis à proposta do governo. Para integrantes do PMDB, seria “um desgaste desnecessário” votar contra o que quer a presidenta Dilma neste início de mandato.

A exigência de fidelidade da base foi assunto da reunião de coordenação política realizada na segunda-feira (14). "A orientação é clara: aliado que é aliado vota com o governo. Se não votar, que vá compor a oposição. Não dá para fazer pose de governo na Esplanada e mudar quando chega no Congresso”, relatou ao iG um dos ministros presentes à reunião.

Votação

Foi aprovado nesta terça-feira (15), o regime de urgência para a votação, conforme acordado entre governo e oposição desde a semana passada. A sessão será em formato extraordinário, o que significa que irá direto para ordem do dia, quando são discutidos e votados os projetos e emendas. Se isso não ocorresse, as emendas e o projeto do salário teriam de tramitar pelas comissões e só para depois ser apreciado em plenário.

Toda sessão ordinária da Câmara começa às 14 horas e, para abrir, é preciso ter, no mínimo, 51 deputados. As votações começam por ordem do presidente, que deve esperar quórum cheio para garantir a vitória do governo. O presidente antecipou 20 minutos para ter quorum mais rápido.

Os deputados realizam hoje três votações: Emenda de R$ 600, Emenda de R$ 560
E o Projeto de lei R$ 545. As duas primeiras serão nominais, em que há registro do voto pessoal. A última será simbólica, em que o presidente avalia o número de deputados que se levantam contra.

‘Lupi tem coragem’

O líder do PDT da Câmara, Giovanni Queiróz (PA), disse não estar impressionado com a pressão do governo. “Temos uma bandeira histórica de defesa do salário mínimo e do trabalhismo”, disse, referindo-se ao antigo PTB, que deu origem ao PDT.

Queiróz lembrou a demissão de João Goulart, então ministro do segundo governo do presidente Getúlio Vargas (1951-1954), por ter defendido o aumento que visava dobrar o valor do salário mínimo. Jango tornou-se a principal liderança do PTB após o suicídio de Vargas.

PSB, PR e PP

A líder do PSB na Câmara, Ana Arraes (PE), anunciou que a bancada fechou questão para votar os R$ 545. No entanto, na reunião que antecedeu o anúncio, os deputados socialistas Julio Delgado (MG) e Luiz Erundina (SP) chegaram a defender o valor de R$ 560.

Ana é mãe do presidente nacional do PSB e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que tenta mostrar o partido como um dos principais aliados da presidenta Dilma.

Além do PSB, PR, PTB e PP fecharam questão no valor de R$ 545. "Vamos votar todos com o governo", disse o deputado Paulo Maluf (PP-SP). "Queremos só a garantia de que haverá reajuste da tabela do Imposto de Renda", afirmou o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ).

PSDB quer R$ 600

Apesar de não acreditar na vitória, o PSDB vai defender a aprovação de uma emenda para o aumento do mínimo ser de R$ 600 . "Nosso poscionamento é mais político. Sabemos que é muito difícil uma vitória", afirmou o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG).

Os tucanos, porém, acreditam que o formato da votação nominal irá constranger os integrantes da base aliada . "É claro que a votação nominal causa problema para muita gente. Afinal de contas, vão ter de assumir que estão querendo um valor abaixo da inflação", disse Jutahy Júnior (PSDB-BA).

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