A Dilma, Temer propõe integrar PT ao "blocão"

Vice-presidente ficou 2 horas com a presidenta eleita e deixou claro que o movimento se formou dentro do Congresso

Andréia Sadi, iG Brasília |

Em conversa de mais de duas horas com a presidenta eleita Dilma Rousseff, o vice-presidente eleito Michel Temer (PMDB) propôs, nesta quarta-feira (17), que o PT fosse integrado ao “blocão”, formado ontem após uma reunião surpresa com aliados do governo Dilma e líderes do PMDB. O iG apurou que, segundo relatos, a presidenta eleita teria gostado, mas não demonstrou estar disposta a se empenhar para viabilizar a ideia. Temer, que também é presidente da Câmara, deixou claro para Dilma que o “blocão” é um movimento que se formou dentro do Congresso Nacional e que não fará oposição a Dilma, e sim trabalhará junto com o governo.

No encontro, Dilma também teria definido que finaliza até 15 de dezembro o anúncio da primeira parte do seu futuro ministério, a parte econômica. Sem citar nomes, ressaltou que será forte a presença de mulheres no primeiro escalão.

Dilma se reuniu, nesta manhã, com Temer, na Granja do Torto, para uma conversa sobre a composição do futuro ministério. Após duas horas, Temer saiu do local sem falar com a imprensa.

Além do PMDB, o chamado “blocão” agrega o PR, o PP, o PTB, o PSC, além de um partido nanico ainda não divulgado. Com esta configuração, que contará com 202 deputados federais (55 deputados a menos que a maioria da Câmara), o PT passa a ter a segunda maior bancada de deputados (88) e perde força parlamentar. A decisão do “blocão” foi tomada em reunião surpresa na tarde de ontem sem a presença de representantes do PT.

A presidenta eleita Dilma Rousseff telefonou ontem para chamar Temer para um café da manhã na casa onde está morando durante a transição. Na pauta de Dilma e Temer consta a discussão dos “próximos passos” da montagem do governo.

“Michel conversou com José Eduardo Dutra e José Eduardo Cardozo esta semana. Para evitar a repercussão de outros, melhor o Michel conversar direto com ela”, disse o líder do PMDB na Câmara, deputado Henriquel Alves (PMDB). Segundo ele, na conversa deverão ser estabelecidos prazos para indicações nos ministérios dos partidos.

Temer já havia dito que espera a manutenção das seis pastas que o partido detém no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Outros partidos da base, como o PR e o PP, adotaram a mesma estratégia. Em resposta,o presidente do PT, José Eduardo Dutra, disse na semana passada que os ministérios não têm dono e que de trata de um novo governo.

    Leia tudo sobre: dilma rousseffPMDBPTblocãotransição

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG