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Na decisão, o ministro do STF disse ver "notório abuso de poder" na prisão do tucano e ser necessário colocar "freios" na atuação dos investigadores

Nelson Jr./TSE
"Pelo que estava olhando no caso do Beto Richa, é um episódio de 2011. Vejam vocês que fundamentaram a prisão preventiva a uns dias da eleição, alguma coisa que suscita muita dúvida", disse Gilmar Mendes

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu habeas corpus para soltar Beto Richa (PSDB), ex-governador do Paraná e preso no último dia 11. Ele também deu salvo conduto ao tucano em relação a qualquer determinação de prisão preventiva, o que suspende a recente ordem de prisão do juiz Fernando Fischer dada nesta sexta (14). As informações foram divulgadas pela coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S. Paulo .

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Segundo o Ministério Público, Beto Richa é suspeito de liderar uma organização criminosa que comandava um esquema de propinas com fornecedores do governo do Paraná. Como sua prisão gerou reações, a corregedoria do CNMP (Conselho Nacional do Ministério Público) abriu uma reclamação disciplinar para analisar se a decisão foi uma tentativa de influenciar o calendário político.

Pela CNMP, também serão investigados os promotores que apresentaram ações contra os candidatos à Presidência do PT, Fernando Haddad, e do PSDB, Geraldo Alckmin. Na decisão,  Gilmar Mendes disse ver "notório abuso de poder" e ser necessário colocar "freios" na atuação dos investigadores.

"Pelo que estava olhando no caso do Richa, é um episódio de 2011. Vejam vocês que fundamentaram a prisão preventiva a uns dias da eleição, alguma coisa que suscita muita dúvida", disse o ministro. "Essas ações já estão sendo investigadas por quatro, cinco anos, ou mais. No caso de Alckmin, Haddad, todos candidatos. E aí [o MP] anuncia uma ação agora! É notório um abuso de poder".

A prisão de Beto Richa

De acordo com o último levantamento do Ibope, Beto Richa estava em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para o Senado no Paraná, com 28%
Dida Sampaio/Estadão Conteúdo
De acordo com o último levantamento do Ibope, Beto Richa estava em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para o Senado no Paraná, com 28%

No dia 11, também foram presos temporariamente Fernanda Richa, esposa do ex-governador e ex-secretária da Família e Desenvolvimento Social; Deonilson Roldo, ex-chefe de gabinete de Richa; Pepe Richa, irmão de Beto e ex-secretário de Infraestrutura; Ezequias Moreira, ex-secretário de cerimonial de Richa; e Luiz Abib Antoun, outro parente do ex-governador. 

Segundo informações da TV Globo , com exceção de Antoun, preso em Londrina, no norte do Paraná, os demais foram presos em Curitiba. Todos negaram as suspeitas e acusaram a operação de "oportunismo".

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Ao todo, 15 pessoas são alvo de mandados de prisão temporária da Justiça Estadual do Paraná. As prisões atingiram figuras-chave no entorno de Beto Richa , que estava em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto para o Senado no Paraná, com 28%, de acordo com o último levantamento do Ibope.

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