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Braga Netto, general responsável pela intervenção no Rio de Janeiro, avalia que a prorrogação do ato de Temer é “completamente desnecessária” pois, do contrário, população ficará “dependente [do exército] o resto da vida”

Para general, prorrogação de intervenção no Rio é
Beto Barata/PR - 16.2.18
Para general, prorrogação de intervenção no Rio é "completamente desnecessária"

O governo Michel Temer (MDB) segue batendo a cabeça. Menos de um mês após Raul Jungmann, ministro da Segurança Pública, sugerir que a intervenção federal no estado do Rio de Janeiro seja mantida por mais um ano, se estendendo até o fim de 2019, o general Braga Netto, chefe da intervenção, desdisse Jungmann e avaliou que a prorrogação do decreto é “completamente desnecessária”.

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“A prorrogação da intervenção no Rio é completamente desnecessária” disse o general à Agência Brasil . “Se não, vocês vão ficar dependentes o resto da vida. Não vai sair nunca. A qualidade do policial civil e do policial militar é muito boa. Tem gente que dá problema? Tem, como em qualquer instituição. Ela precisa ser valorizada e o chefe tem de ter liderança sobre a sua tropa”.

O general, contudo, se dispôs a dialogar com o próximo governador do estado e afirmou que o Exército colocará em prática um plano de transição nos próximos meses, prevendo já a retirada das Forças Armadas.

“A intervenção acaba. O que fica depois de 31 [de dezembro] é o pessoal que vai fazer a transição e o legado. Eu já estou treinando esse pessoal. Quando nós sairmos, eles vão continuar a transição. Como eu falei, não há necessidade de permanecer a intervenção. Nós estamos deixando esse planejamento pronto. Há necessidade de mantê-lo e não deixar depois a segurança pública ser contaminada novamente por indicações políticas. Segurança pública tem de ser técnica, tem de ser por meritocracia”, avaliou Netto.

O militar, por fim, se furtou a comentar um dos episódios mais dramáticos da tensa intervenção federal no estado: os assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, que aconteceram menos de um mês após a chegada das Forças Armadas no Rio.

“Quem fala sobre a Marielle é só a Homicídios. E não fala nada. Está correndo em segredo de Justiça. Temos equipes dedicadas exclusivamente ao caso. O pessoal está investigando para fazer uma aquisição de provas bem sólida. Não adianto nada do caso porque nem eu pergunto. Nem eu pressiono. Só pergunto ao secretário se está andando e ele fala que está andando muito bem”, comentou.

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Intervenção no Rio adentra 2019?

Um mês antes da entrevista concedida por Braga Netto à Agência Brasil , Raul Jungmann, ministro da Segurança Pública , opinava de forma diferente do general.

Para Jungmann, é importante que o próximo governador e o próximo presidente da República pensem na manutenção da  “jogada de mestre” de Temer , como ele mesmo a classificou quando da instituição da intervenção. 

"Acredito que o futuro governante do Rio de Janeiro  agiria de bom senso se dispuser-se a prolongar pelo menos por mais um ano esta intervenção no Rio . Porque é o tempo necessário para que a gente possa concluir o legado. Se nós tivermos mais tempo, melhores resultados virão", disse. 

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