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Julgamento será retomado após veto do relator, ministro Gilmar Mendes; para ele, a medida é inconstitucional por se tratar de coação arbitrária

Além do voto de Gilmar Mendes, outros dez ministros devem se manifestar sobre a validade da condução coercitiva
Nelson Jr./TSE - 5.12.17
Além do voto de Gilmar Mendes, outros dez ministros devem se manifestar sobre a validade da condução coercitiva

votação sobre a validade da decretação de condução coercitiva para levar investigados a interrogatória policial ou judicial deve ser retomada nesta quarta-feira (13) pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Na última semana, quando começou o julgamento, somente o relator do caso, o ministro Gilmar Mendes, votou pela inconstitucionalidade da condução coercitiva .  Hoje, espera-se que mais dez ministros se manifestem. A votação deve acontecer a partir das 14h.

Ao votar sobre a questão, para decidir o caso de forma definitiva, o ministro manteve o entendimento anterior e disse que as “conduções coercitivas são um novo capítulo da espetacularização da investigação”. Segundo Gilmar Mendes , esse tipo de condução é inconstitucional por se tratar de coação arbitrária do investigado.

"Resta evidente que o investigado ou réu é conduzido para demonstrar sua submissão à força. Não há uma finalidade instrutória clara, na medida em que o arguido não é obrigado a declarar ou se fazer presente no interrogatório”, argumentou.

A OAB sustentou e entrou com ação no Supremo por entender que a condenação só pode ocorrer em caso de descumprimento de intimação para o investigado prestar depoimento.

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Conduções coercitivas estão no Código de Processo Penal

Contrapondo a decisão de Gilmar Mendes, a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu, em parecer enviado ao Supremo, a anulação das suspensão.

Ao defender a revogação da liminar, Raquel Dodge afirma que a medida está prevista no Código de Processo Penal e não ofende o princípio constitucional da presunção da inocência.

De acordo com a procuradora, as conduções coercitivas  em depoimentos servem para evitar o ajuste de versões entre os investigados, a destruição de provas e a intimidação de testemunhas durante a deflagração de uma operação conjunta do Ministério Público e da Polícia Federal.

Medida suspensa

Desde dezembro do ano passado a medida está suspensa por uma liminar do relator. Agora, os ministros julgam a questão definitivamente.

Gilmar Mendes atendeu a pedido de suspensão das conduções, feito em duas ações protocoladas pelo PT e pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). O PT e a OAB alegaram que a condução coercitiva de investigados, prevista no Código de Processo Penal, não é compatível com a liberdade de ir e vir garantida pela Constituição. Com a decisão, juízes de todo o país estão impedidos temporariamente de autorizar conduções coercitivas.

As ações foram protocoladas meses depois de o juiz federal Sérgio Moro ter autorizado a condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para prestar depoimento na Polícia Federal, durante as investigações da Operação Lava Jato.

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*Com informações da Agência Brasil